Esclerose múltipla mostra sinais mais cedo do que se pensava
Estudo publicado na revista “Lancet Neurology”
26 abril 2017
Um novo estudo revelou que os pacientes com esclerose múltipla podem demonstrar que algo de errado está a passar-se cinco anos antes de a doença se desenvolver.
O estudo conduzido por uma equipa de investigadores liderada por Helen Tremlett do Centro de Saúde do Cérebro Djavad Mowafaghian, Canadá, teve por base a análise de processos clínicos de pacientes com esclerose múltipla e poderá orientar a investigação sobre as causas da doença numa nova direção.
Adicionalmente, este achado poderá ajudar os médicos a fazerem o rastreio da doença precocemente e intervir numa fase mais inicial.
Para o estudo, Helen Tremlett e equipa analisaram os processos clínicos, durante um período de 20 anos, de 14.000 pacientes com esclerose múltipla de várias províncias do Canadá. A informação recolhida foi comparada com a dos processos clínicos de pessoas que não tinham a doença. A equipa estava à procura de um pródromo, ou seja, um conjunto de sintomas precursores de uma doença.
Foram já identificados pródromos para outras doenças como a Alzheimer e Parkinson, sendo que esta identificação forneceu pistas sobre a forma como estas doenças poderão ser desencadeadas e deu lugar a novos estudos sobre causas e fatores de desencadeamento.
O estudo revelou que existe uma fase em que os pacientes começam a demonstrar sintomas antes de a esclerose múltipla ser identificada do ponto de vista clínico. Durantes esta fase os pacientes tendem mais a ir ao médico, a serem hospitalizados e a receberem mais prescrições do que a população em geral.
“Provar que as pessoas com esclerose múltipla tinham alterado já o seu comportamento nos cinco anos antes mesmo do primeiro reconhecimento clínico da doença é muito importante porque significa que temos que olhar para além daqueles cinco anos para perceber como é causada”, explicou Helen Tremlett.
Futuramente, a equipa tentará perceber porque é que aqueles pacientes utilizaram o sistema de saúde de forma diferente, e se existem tendências nas doenças reportadas e prescrições passadas que indiquem um conjunto específico de sintomas que os médicos poderiam usar para ajudam a identificar a esclerose múltipla numa fase mais inicial”.
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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