Esclerose múltipla: mais perto da cura?

Estudo publicado na revista “Immunity”

18 dezembro 2015
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Investigadores canadianos descobriram mais uma pista para a compreensão da causa da esclerose múltipla, dá conta um estudo publicado na revista “Immunity”.
 

A esclerose múltipla é uma doença na qual o sistema imunológico ataca o cérebro. Até à data ainda não se sabe a causa e ainda não existe cura para a doença. Habitualmente, as respostas imunológicas são desencadeadas nos nódulos linfáticos e noutros órgãos linfóides de forma a proteger o organismo contra vírus ou outros agentes patogénicos.
 

Contudo, os investigadores têm observado que um tipo de leucócitos, os linfócitos, podem por vezes se agrupar nos chamados tecidos linfóides terciários (TLTs, sigla em inglês) no cérebro dos pacientes com esclerose múltipla. Estas estruturas são semelhantes aos nódulos linfáticos, mas são encontradas na membrana exterior do cérebro, conhecida por meninge. Os TLTs coincidem frequentemente com a inflamação cerebral associada à progressão da esclerose múltipla. No entanto, até à data, ainda não está claro como os TLTs são formados e o que os mantem.
 

Neste estudo os investigadores da Universidade de Toronto, no Canadá, descobriram que os TLTs foram criados na presença de células estromais, células especializadas que produzem uma emaranhada rede de fibras. Estas células podem efetivamente criar uma rede, que uma vez formada, tornar-se um local de encontro para um tipo de linfócitos T conhecidos por Th17.
 

Os investigadores, liderados por Jen Gommerman, explicaram que apesar de os linfócitos T serem uma parte importante da capacidade do organismo debelar a infeção e doença nas doenças autoimunes, por vezes confundem o tecido saudável como uma potencial ameaça e respondem causando danos.
 

O estudo apurou que esta resposta Th17 resultou num tipo de inflamação do tecido cerebral associado à esclerose múltipla. Verificou-se ainda que os linfócitos Th17 podem também influenciar como as células estromais se organizam. A estrutura resultante desenvolvida foi muito semelhante ao tecido linfático normal, tal como o encontrado nas amígdalas ou nódulos linfáticos no pescoço.
 

Jen Gommerman refere que apesar de este estudo não dar uma resposta definitiva à causa da esclerose múltipla, fornece evidências relativamente à patologia da doença. Com estudos adicionais, estes resultados podem conduzir a novas opções de tratamento que tenham por alvo nomeadamente os linfócitos Th17.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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