Esclerose múltipla: fármaco pode reverter sintomas físicos

Estudo publicado na revista “Neurology”

17 outubro 2016
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Um fármaco utilizado no tratamento da esclerose múltipla, o alemtuzumab, consegue também reverter parte da incapacidade física causada pela doença, dá conta um estudo publicado na revista “Neurology”.
 
O alemtuzumab é um fármaco modificador da doença utilizado no tratamento da esclerose múltipla recidivante e remitente, a forma mais comum da doença, em que os sintomas alternam entre remissão e agravamento súbito. Uma vez que os efeitos adversos deste fármaco são grandes e severos, a utilização do alemtuzumab fica muitas vezes reservada para os pacientes que não respondem bem a outro tipo de tratamentos contra a esclerose múltipla. Contudo, neste estudo, o fármaco foi utilizado perto do início da doença.
 
Gavin Giovannoni, uma das autoras do estudo, refere que apesar de alguns fármacos retardarem a progressão da incapacidade, existem poucos dados sobre a capacidade de os atuais tratamentos ajudarem a restabelecer as funções perdidas com a doença. 
 
Neste estudo, os investigadores da Universidade Queen Mary de Londres, no Reino Unido, administram a 426 pacientes com esclerose múltipla recidivante e remitente, que não respondiam a pelo menos um dos fármacos contra a doença, alemtuzumab. Duzentos e dois pacientes foram tratados com interferão beta-1a. Estes fármacos reduzem e impedem a inflamação que danifica as células nervosas. 
 
O nível de incapacidade dos participantes foi avaliado no início do estudo e a cada três meses ao longo de dois anos. No fim do estudo, cerca de 28% dos pacientes tratados com alemtuzumab melhoraram pelo menos um ponto no teste de incapacidade (que varia entre 0 e 10), comparativamente com os 15% daqueles tratados com interferão. 
 
Os pacientes tratados com alemtuzumab eram 2,5 vezes mais propensos a apresentarem melhorias na capacidade de raciocínio, comparativamente com os tratados com interferão. Estes pacientes apresentavam também uma probabilidade duas vezes superior de apresentarem melhorias na capacidade de se movimentarem sem tremores ou movimentos desajeitados, conhecidos como ataxia.
 
O investigador refere que, caso os benefícios do alemtuzumab sejam confirmados, estes têm de ser considerados conjuntamente com os riscos, que incluem problemas autoimunes sérios e potencialmente fatais, assim como reações de infusão. 
 
Bibiana Bielekova, do instituto nacional de distúrbios neurológicos e AVC, refere que estes resultados são encorajadores, mas ainda não se sabe ao certo como o alemtuzumab reverte os danos, se através da reparação da mielina, da criação de novas sinapses, da redução de inflamação ou através de outros mecanismos. Qualquer uma destas hipóteses ainda tem de ser investigada.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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