Esclerose múltipla: Estado não deve adiar fármacos mais eficazes

Estudo conduzido pela Universidade do Minho

16 dezembro 2013
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Uma equipa de investigadores da Universidade do Minho, que vai iniciar a fase clínica do uso de lipocalina 2 em casos de esclerose múltipla, alerta que o Estado pode "comprometer" a vida dos portadores daquela doença, ao "adiar" o acesso a "fármacos mais eficazes".
 

Liderada por João Cerqueira, a equipa do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde, explica que a lipocalina 2 está aumentada em pacientes com a mencionada doença, podendo mesmo ser usada como marcador de diagnóstico e avaliador de prognóstico. A equipa explicou, num comunicado enviado à agência Lusa, que aquela proteína é "fulcral" no tratamento de esclerose múltipla.
 

João Cerqueira explica que "ao medir a quantidade da proteína no líquido da espinal medula sei com alguma segurança se o doente vai ter uma evolução mais ligeira ou agressiva da doença. Isso pode permitir ajustar a terapêutica individualmente", explica João Cerqueira.
 

Segundo o comunicado, a esclerose múltipla surge quando o próprio sistema de defesa do indivíduo passa a agredi-lo, em particular ao sistema nervoso central (cérebro, espinal medula) e à mielina que protege os neurónios. As funções coordenadoras gerais, como sensibilidade, locomoção, cognição, audição, visão, excreção ficam consequentemente comprometidas.
 

A esclerose múltipla atinge cerca de 5.000 portugueses (46 casos em cada 100.000), entre os 20 os 40 anos, dois terços dos quais são mulheres. A esperança de vida de quem sofre da doença é de menos cinco a dez anos face à média nacional. Nos países mais a Norte, a prevalência da mesma é aproximadamente o triplo do que sucede em Portugal.
 

"Os investigadores da academia minhota demonstraram também, em paralelo com equipas internacionais, que a vitamina D, sobretudo a transmitida pelo sol, beneficia o tratamento da esclerose múltipla". Segundo o comunicado, esta vitamina "parece funcionar mais como hormona, ajudando o sistema imunitário a não se descontrolar e a vigiar os ataques (bactérias, vírus).
 

A equipa alerta para as "complicações" no tratamento da esclerose múltipla em Portugal, já que vários centros de saúde e hospitais têm demasiados pedidos e encaminham-nos para clínicas convencionadas com o Estado.
 

João Cerqueira considera que "muitas clínicas não sabem lidar com esclerose múltipla, tratando-a como se fosse uma perna partida. Por outro lado, diminuiu o transporte pago pelo Estado para fisioterapia, obrigando o doente a desistir e ficar mais incapacitado. Em terceiro lugar, e também devido aos cortes, o acesso a fármacos para as formas mais agressivas, que já se usam noutros países, está a ser atrasado em Portugal pela tutela, o que pode gerar consequências graves".

 

"O investimento que possamos fazer na compra de medicamentos, mesmo que pareça inicialmente avultado, trará retorno, pois estes cidadãos ficam ativos mais tempo, continuando a contribuir em vez de depender do Estado", justifica o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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