Esclerose múltipla é sexualmente transmissível?

Estudo lança polémica na comunidade científica

22 setembro 2002
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Segundo um estudo britânico divulgado na semana passada, a esclerose múltipla -doença que atinge o sistema nervoso central- pode ser sexualmente transmissível.
 

 

Para o autor do estudo, Christopher Hawkes, consultor do Instituto de Neurologia de Londres, a doença é mais comum em sociedades sexualmente permissivas, e entre homens jovens e sexualmente activos.
 

 

Um estudo anterior, feito na Dinamarca, apontou que a incidência da esclerose múltipla cresceu à medida em que as mulheres adoptaram os contraceptivos orais e os homens deixaram de usar preservativos. A incidência da doença teria dobrado após seis anos de uso de anti-concepcionais orais.
 

 

Para Hawkes, a incidência da doença entre jovens abaixo de 16 anos é de duas a três vezes maior em raparigas do que em rapazes. Para o cientista, este facto deve-se à maior incidência de abuso sexual contra adolescentes.
 

 

A esclerose múltipla é uma doença crónica que prejudica a transmissão de impulsos nervosos para algumas regiões do cérebro. A doença afecta o sistema nervoso central, a capacidade motora, a memória e a linguagem.
 

 

No entanto, o estudo foi publicado pelo «Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry» www.jnnp.com tem vindo a ser refutado por vários especialistas.
 

 

As principais críticas apontam para a não existência de provas científicas que comprovem a teoria. Em declarações à agência Reuters, o presidente da Sociedade de Esclerose Múltipla do Reino Unido, Mike O Donovan, afirmou categoricamente que não há provas da transmissão sexual. «Isto é pura especulação baseada na interpretação de dados recolhidos para outras razões», afirmou.
 

 

Para o professor de neurologia Alastair Compston, da Universidade de Cambridge, o estudo tem pouco valor científico porque não contém novos factos. «A hipótese (de Hawkes) cai rapidamente e repetidamente frente a novas evidências.»
 

 

Já o professor Graeme Stewart, do Instituto de Imunologia e Alergia da Austrália, chamou o estudo de Hawkes «prejudicial e profundamente ofensivo, principalmente para os membros de famílias em que há vários casos da doença».
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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