Esclerose múltipla e a presença de outras condições crónicas

Estudo publicado na revista “Neurology”

14 março 2016
  |  Partilhar:

Os indivíduos diagnosticados com esclerose têm frequentemente outras condições crónicas, sugere um estudo publicado na revista “Neurology”.
 

"Estes resultados levam-nos a questionar se existem fatores de risco partilhados pela esclerose múltipla e as outras doenças, e, em caso afirmativo, se poderíamos, eventualmente, encontrar formas de reduzir o risco tanto da esclerose múltipla como das outras doenças”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Ruth Ann Marrie.
 

Para o estudo, os investigadores da Universidade de Manitoba, no Canadá, analisaram a presença de várias condições crónicas em 23.382 pacientes com esclerose múltipla e em 116.628 indivíduos com a mesma idade e sexo, mas sem esta doença. As condições incluíram pressão arterial elevada, diabetes, níveis de colesterol elevados, doença cardíaca, doença pulmonar crónica, epilepsia, fibromialgia, doença inflamatória do intestino, depressão, ansiedade, distúrbio bipolar e esquizofrenia.
 

O estudo apurou que, indivíduos com esclerose múltipla apresentavam taxas elevadas de todas as condições, com a exceção dos níveis de colesterol elevados. A condição mais comum foi a depressão. Pelo menos 19% dos pacientes com esclerose múltipla sofria de depressão, comparativamente com os 9% dos indivíduos sem a doença. Uma vez que depressão e ansiedade podem afetar a qualidade de vida e aumentar o risco de hospitalização, a capacidade dos pacientes aderirem aos regimes de medicação é importante. Assim, a investigadora sugere que estas condições devam ser cuidadosamente monitorizadas.
 

Os investigadores verificaram também que, para muitas condições, as taxas diferiam entre os homens e as mulheres com esclerose múltipla. Para os homens com esclerose múltipla, a taxa de pressão arterial elevada era 48% maior do que para aqueles sem a doença, ou seja 22% para os homens com esclerose múltipla e 15% para aqueles que não tinham a doença. No caso das mulheres com esclerose múltipla a taxa foi 16% mais elevada comparativamente com aquelas sem a doença, 14% para aquelas com esclerose múltipla e 12% para as sem a doença.
 

O estudo apurou ainda que os homens com esclerose múltipla tinham níveis desproporcionalmente mais elevados de diabetes, epilepsia, depressão e ansiedade comparativamente com as mulheres sem a doença. Por outro lado, as mulheres com esclerose múltipla apresentavam níveis desproporcionalmente mais elevados de doença pulmonar crónica do que os homens.
 

Na opinião dos autores do estudo, estes resultados podem ser explicados pelo facto de as doenças crónicas e da esclerose múltipla partilharem os mesmos fatores de risco. “Tem sido demonstrado que o tabagismo, a obesidade, os baixos níveis de vitamina D e de ácidos gordos ómega-3 contribuem para a severidade da esclerose múltipla e também das outras doenças”, concluíram os investigadores.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.