Esclerose múltipla: como se desenvolve?

Estudo publicado no “Journal of Neuroimmunology”

06 agosto 2012
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Investigadores americanos e canadianos descobriram uma ou mais substâncias produzidas por um tipo de células do sistema imunitário de indivíduos com esclerose múltipla que poderão ter um papel importante na progressão da doença, dá conta um estudo publicado no “Journal of Neuroimmunology”.
 

O líder do estudo, Robert Lisak, da Wayne State University School of Medicine, nos EUA, explica que os linfócitos B são um subtipo de linfócitos que se tornam células plasmáticas produtoras de anticorpos. Por outro lado, os linfócitos B têm outras funções, nomeadamente a regulação de outros linfócitos, os T, e ajudam também a manter um sistema imunitário funcional.
 

Nos pacientes com esclerose múltipla, os linfócitos B parecem atacar o cérebro e a espinal medula, possivelmente devido a substâncias produzidas pelo sistema nervoso e meninges que os atraem. Nas meninges ou no sistema nervoso central, os linfócitos B ativados produzem mais substâncias que danificam as células produtoras de uma substância protetora denominada mielina.
 

Nos indivíduos com esclerose múltipla os linfócitos B parecem estar mais ativos, o que poderá explicar a produção de substâncias tóxicas e, em parte, o motivo pelo qual são atraídos para as meninges e para o sistema nervoso.
 

Os autores do estudo explicam que o cérebro pode ser dividido em substância cinzenta, composta por neurónios, e a substância branca, onde os neurónios enviam os axónios para que a comunicação entre os neurónios seja estabelecida e para que as mensagens do cérebro sejam transmitidas aos músculos.  
 

A substância branca tem esta cor pois oligodendrócitos produzem a mielina, que tem como função isolar os neurónios e acelerar a sua comunicação. Contudo, quando o revestimento da mielina é atacado e degradado as mensagens do cérebro para as outras regiões do corpo podem ser afetadas.
 

Neste estudo, os investigadores isolaram linfócitos B provenientes de sete pacientes com esclerose múltipla reincidente e de indivíduos saudáveis, tendo colhido as substâncias produzidas por estes. Posteriormente estas substâncias foram colocadas no cérebro de ratinhos geneticamente modificados para o estudo da doença. Verificou-se uma maior taxa de morte dos oligodendrócitos dos ratinhos que tinha recebido as substâncias produzidas pelos linfócitos B dos indivíduos com esclerose múltipla.
 

Os investigadores encontram-se atualmente a planear experiências para identificar os fatores tóxicos que são responsáveis pela morte dos oligodendrócitos. A identificação destas substâncias poderá assim conduzir ao desenvolvimento de novos métodos terapêuticos, de forma a interromper a capacidade dos linfócitos B em matar os oligodendrócitos, protegendo a mielina de possíveis ataques.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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