Esclerose múltipla: anticorpo mostra-se promissor

Estudo publicado na revista “Brain”

25 julho 2016
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Investigadores franceses desenvolveram um anticorpo com potenciais efeitos terapêuticos contra a esclerose múltipla, revela um estudo publicado na revista “Brain”.
 

A esclerose múltipla é uma doença que afeta o sistema nervoso central, particularmente o cérebro e a espinal medula. Esta doença é a causa mais comum de incapacidade neurológica nos adultos jovens.
 

A esclerose múltipla é considerada uma doença autoimune uma vez que o sistema imunitário, que tem como função proteger o organismo contra as agressões externas, ataca os seus próprios constituintes. As células do sistema imunitário, especificamente os linfócitos, provocam a destruição da bainha de mielina que rodeia e protege as extensões (axónios) dos neurónios. Esta desmielinização, que dita o início de degeneração dos axónios, interrompe a transmissão de impulsos nervosos. As lesões em forma de "placas" estão dispersas ao longo do cérebro e na espinal medula e causam sintomas que podem variar bastante de um indivíduo para outro.
 

Habitualmente a doença é caracterizada por exacerbações, com sintomas semelhantes aos encontrados nos distúrbios motores, sensoriais, e cognitivos, que entram em remissão semanas mais tarde. Contudo, com o passar dos anos, estes sintomas podem progredir para a incapacidade irreversível. Os tratamentos atuais reduzem as exacerbações e melhoram a qualidade de vida dos pacientes, mas não são capazes de controlar a progressão da doença.
 

Para que as células imunitárias que se encontram em circulação consigam atingir o sistema nervoso central, têm de ser capazes de penetrar na barreira sangue-cérebro e na barreira sangue-espinal medula.
 

Em estudos anteriores os investigadores do Inserm Unit 919, em França, já tinham estudado um fator envolvido na abertura da barreira sangue-cérebro, o recetor NMDA. Foi observado que o bloqueio da interação deste recetor com uma proteína, a tPA, tinha efeitos benéficos associados com a manutenção da integridade da barreira.
 

Neste estudo, os investigadores desenvolveram uma estratégia para bloquear a interação da tPA com o recetor na esclerose múltipla, tendo para tal criado um anticorpo monoclonal direcionado contra o local do recetor NMDA ao qual a tPA se liga.
 

Em modelos celulares das barreiras sangue-cérebro e sangue-espinal medula humanas, verificou-se que o anticorpo impediu a abertura da barreira em condições inflamatórias, limitando a entrada de linfócitos.
 

Os cientistas verificaram que a administração intravenosa do anticorpo em modelos de ratinhos para a esclerose múltipla bloqueou a progressão dos distúrbios motores. Este efeito foi associado a uma redução da infiltração dos linfócitos no sistema nervoso e a uma desmielinização reduzida.
 

Os investigadores concluem que, ao prevenir a destruição da mielina pelas células do sistema imunitário, esta estratégia pode funcionar como uma terapia promissora para o controlo da esclerose múltipla.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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