Esclerose múltipla: anti-histamínico pode reverter danos visuais crónicos

Estudo da Universidade da Califórnia

15 abril 2016
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A toma de um anti-histamínico comum utilizado no tratamento de alergias e de constipações, o fumarato de clemastina, reverte parcialmente os danos do sistema visual dos indivíduos com esclerose múltipla, dá conta um estudo preliminar apresentado no encontro anual da Academia Americana de Neurologia.
 

A investigação levada a cabo pelos investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, envolveu pacientes com esclerose múltipla e neuropatia ótica, que envolve danos no nervo que envia informação do olho para o cérebro. Nos indivíduos com esclerose múltipla, o sistema imunitário destrói a mielina, o revestimento protetor encontrado em torno dos nervos, que conduz a danos nos nervos, retardando sinais de e para o cérebro. Os danos do nervo ótico são uma consequência comum da doença.
 

Ari Green, um dos autores do estudo, refere que estes resultados são entusiasmantes, uma vez que demonstram, pela primeira vez, a possibilidade de reparar o revestimento protetor nos indivíduos com desmielinização crónica resultante da esclerose múltipla.
 

O estudo, que teve a duração de cinco meses, contou com a participação de 50 indivíduos com uma média de 40 anos que tinham esclerose múltipla há cerca de cinco anos e tinham uma deficiência leve. Todos os pacientes tinham uma neuropatia ótica crónica estável, o que significa que não estavam a recuperar de uma neurite ótica recente.
 

Todos os participantes foram submetidos a testes visuais no início e no fim do estudo. Num dos testes foi registado o tempo de transmissão do sinal a partir da retina para o córtex visual. Para serem incluídos no estudo, os participantes tinham que ter um atraso no tempo de transmissão superior a 118 milissegundos em pelo menos um olho e evidências de possuir um número adequado de fibras nervosas para isolar. Uma melhoria no atraso na transmissão é considerada um biomarcador da reparação da mielina.
 

Ao longo dos primeiros três meses, os pacientes tomaram o fumarato de clemastina ou um placebo. Nos dois meses seguintes, os que estavam a tomar o fármaco tomaram o placebo e vice-versa.
 

Ao longo do estudo, os investigadores observaram que nos pacientes que tomaram o anti-histamínico os atrasos foram reduzidos a uma média de pouco menos de dois milésimos de segundo em cada olho.
 

O investigador refere que apesar desta melhoria parecer pequena, este estudo é promissor uma vez que é a primeira vez que se demonstrou que um fármaco pode possivelmente inverter os danos causados pela esclerose múltipla.
 

Ari Green refere que apesar de estes resultados serem preliminares, este estudo fornece uma ferramenta para estudos futuros e pode dar origem a descobertas que vão melhorar a capacidade inata de o cérebro reparar.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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