Esclerose lateral amiotrófica: transplante de células estaminais parece ser seguro

Estudo publicado na revista “Neurology”

04 julho 2016
  |  Partilhar:

O transplante de células estaminais parece ser seguro para os pacientes com esclerose lateral amiotrófica ou doença de Lou Gehrig, dá conta um estudo publicado na revista “Neurology”.
 

A esclerose lateral amiotrófica é uma doença em que os neurónios motores, encontrados no cérebro e na medula espinal, degeneram. A doença resulta na perda progressiva do controlo dos músculos envolvidos nomeadamente na respiração e deglutição, conduzindo, à morte. Atualmente ainda não existe um tratamento eficaz.
 

Os investigadores esperam que as células estaminais possam ser utilizadas como células suporte para os neurónios motoros que estão a morrer, provavelmente através da redução da inflamação, libertação de fatores de crescimento ou outro mecanismo, até à data desconhecido. Estudos anteriores demonstraram que a injeção de células estaminais em ratinhos conduzia à formação de novas ligações sinápticas com os neurónios motoros existentes. Verificou-se também que estas células produzem fatores de crescimento neurotróficos, que podem proteger as células já existentes.
 

Neste ensaio clínico de fase II, os investigadores da Universidade Emory, nos EUA, contaram com a participação de 15 pacientes com esclerose lateral amiotrófica e concentraram-se na segurança do procedimento e não na sua eficácia.
 

Os pacientes foram divididos em cinco grupos de tratamento que receberam doses crescentes de células estaminais através do aumento do número de injeções. Todos os participantes receberam injeções bilaterais na medula espinal cervical entre as regiões C3 e C5. O número de injeções variou entre 10 a 40 e o número de células injetadas entre dois a dezasseis milhões. Ao longo de nove meses foi recolhida informação referente à ocorrência de efeitos secundários, bem como à progressão da doença.
 

Os investigadores apuraram que a maioria dos efeitos secundários relatados estavam associados à dor temporária associada com a cirurgia e a medicamentos para suprimir o sistema imunitário. Contudo, dois dos pacientes desenvolveram complicações graves. Um dos indivíduos desenvolveu edema na espinal medula que causou dor, perda sensorial e paralisia parcial e outro desenvolveu síndrome da dor central.
 

O estudo apurou que o tratamento com células estaminais não teve qualquer efeito na progressão da doença. Jonathan D. Glass, um dos autores do estudo, refere que não devem ser retiradas conclusões relativamente à eficácia do tratamento a partir de um ensaio tão pequeno.
 

“O estudo não foi concebido, nem tinha a dimensão suficiente, para determinar a eficácia de retardar ou parar a progressão da esclerose lateral amiotrófica. A importância deste estudo é que vai permitir avançar para um ensaio maior especificamente concebido para testar se o transplante de células estaminais humanas na espinal medula será um tratamento benéfico para os pacientes com esclerose lateral amiotrófica”, concluiu o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.