Esclerose lateral amiotrófica: novo alvo terapêutico identificado

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

12 junho 2015
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Investigadores americanos identificaram o mecanismo celular que pode ser alvo do tratamento da esclerose lateral amiotrófica, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.


A esclerose lateral amiotrófica (ELA), também conhecida como doença de Lou Gehrig, é uma doença neurodegenerativa debilitante que leva à paralisia e morte devido à perda de neurónios motores no cérebro e espinal medula. A principal característica desta doença é uma acumulação da proteína TDP43, que em quantidades elevadas é tóxica para as células.


“A TDP43 é uma proteína que em quantidades elevadas ou demasiado baixas pode causar danos celulares. Mais de 90% dos casos de ELA têm uma patologia baseada na TDP43, assim é imperativo o desenvolvimento de uma terapia capaz de manter os níveis da proteína controlados”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Sami Barmada.


Estudos anteriores já tinham apurado que a proteína hUPF1 poderia ser um alvo terapêutico para a ELA. No entanto, ainda não estava claro como esta proteína impedia a morte celular.


No estudo atual os investigadores do Instituto Gladstone e da Universidade de Michigan, nos EUA, testaram a capacidade da hUPF1 proteger contra o processo neurodegenerativo num modelo celular para a ELA. Verificou-se que os níveis geneticamente aumentados de hUPF1 aumentavam a sobrevivência dos neurónios em 50 a 60%.


Através de uma análise mais detalhada, os investigadores constataram que a hUPF1 atuava através de um sistema de vigilância celular denominado por NMD para manter os níveis da TDP43 estáveis e aumentar a sobrevivência neuronal. Este mecanismo protetor – o NMD − monitoriza o ARN mensageiro. Caso uma porção deste ARN esteja defeituosa, é destruída de forma a não serem produzidas proteínas não funcionais que possam danificar a célula.
 

Neste estudo os investigadores constataram que o NMD também ajuda a controlar os níveis de proteínas como a TDP43 que se ligam e regulam o ARN. Uma vez que a hUPF1 é o principal regulador do NMD, a sua alteração tem efeitos na TDP43 bem como noutras proteínas.


“As células desenvolveram uma forma muito elegante de manter a homeostasia e protegerem-se de proteínas defeituosas. Esta é a primeira vez que fomos capazes de associar este sistema de monitorização natural a doenças neurodegenerativas. Este sistema pode ser um alvo terapêutico estratégico para doenças como a ELA e a demência frontotemporal”, conclui o líder do estudo, Steven Finkbeiner.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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