Esclerose lateral amiotrófica: dieta hipercalórica abranda progressão da doença

Estudo publicado na revista “The Lancet”

05 março 2014
  |  Partilhar:

O consumo de uma dieta hipercalórica com elevado teor de hidratos de carbono pode atrasar a progressão de esclerose lateral amiotrófica, dá conta um estudo publicado na revista “The Lancet”.
 

A esclerose lateral amiotrófica é uma doença progressiva, neurodegenerativa fatal que afeta as células nervosas que controlam o movimento dos músculos. Estes pacientes perdem gradualmente a capacidade de controlar os músculos, incluindo aqueles que controlam a respiração, o que conduz à insuficiência respiratória e à morte, cerca de três anos após os pacientes serem diagnosticados com a doença.
 

A perda de peso, tanto ao nível muscular como de gordura, é comum à medida que a doença progride, apresentado os pacientes mais dificuldades em se alimentar, engolir e manter o seu peso corporal.
 

Este estudo realizado pelos investigadores do Hospital Geral de Massachusetts, nos EUA, contou com a participação de 20 indivíduos com esclerose lateral amiotrófica em estado avançado, os pacientes tinham já de ser alimentados através de uma sonda. Os pacientes foram divididos em três grupos, tendo sido adotado um plano dietético diferente em cada um dos grupos. O primeiro grupo funcionou como grupo de controlo e consumiu uma dieta para manter o peso. Os outros dois grupos adotaram dietas hipercalóricas: uma com elevado teor de hidratos de carbono e a outra com elevado teor de gordura.
 

Os planos dietéticos tiveram uma duração de quatro meses, tendo sido recolhidos dados no início e cinco meses após o estudo ter começado. O estudo apurou que os pacientes incluídos no grupo com uma dieta hipercalórica com elevado teor de hidratos de carbono foram os que apresentaram menos efeitos adversos. Os investigadores também observaram que os indivíduos deste grupo foram os que aumentaram mais de peso, uma média de 0,39 Kg, comparativamente com os outros dois grupos.
 

“Há evidências epidemiológicas que mostram que a sobrevivência a esta doença é determinada pelo estado nutricional. Este estudo piloto mostra que este novo tratamento é seguro, simples e de baixo custo. Os efeitos adversos que poderiam resultar do aumento de peso, como a diabetes ou doença cardiovascular, não foram observados ao longo dos cinco meses do estudo”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Anne-Marie Wills.
 

A investigadora acrescentou que apesar de este ter sido um estudo pequeno e os resultados necessitarem de ser comprovados, estes são animadores. Na verdade eles vão ao encontro dos resultados obtidos em modelos animais da doença que mostraram que as dietas hipercalórias aumentavam a sobrevivência dos pacientes. “Este tipo de intervenção nutricional pode ser uma nova forma de tratar e abrandar a progressão da esclerose lateral amiotrófica e ser também útil para outras doenças neurológicas”, conclui Anne-Marie Wills.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.