Esclerose lateral amiotrófica: células imunes desempenham papel inesperado

Estudo publicado na revista “Science”

23 março 2016
  |  Partilhar:

Investigadores americanos constataram que as células do sistema imunitário no cérebro desempenham um papel direto no desenvolvimento da esclerose lateral amiotrófica, oferecendo assim esperança para o desenvolvimento de novas terapias que tenham por alvo a doença neurodegenerativa que conduz gradualmente à paralisia e morte.
 

Neste estudo, os investigadores do Centro Médico Cendars-Sinai, nos EUA, focaram-se numa mutação genética que provoca a também conhecida doença de Lou Gehrig e a demência frontotemporal, uma outra doença neurológica que conduz tipicamente a alterações na personalidade, comportamento e linguagem.
 

Os investigadores, liderados por Robert H. Baloh, desenvolveram duas estirpes de ratinhos que não expressavam o gene C9orf72, tendo constatado que este desempenhava um papel importante na função do sistema imunológico do cérebro.
 

O estudo apurou que em vez de desenvolverem esclerose lateral amiotrófica, os ratinhos que não expressavam o gene tinham o sistema imunológico alterado. Na ausência do gene C9orf72, os lisossomas (organelos presentes nas células do sistema imunitário que digerem material celular indesejado) deixavam de funcionar corretamente.
 

Na opinião do investigador, o gene C9orf72 é importante para o funcionamento das células do sistema imunitário no cérebro, o que vem mais uma vez comprovar que o sistema imunológico contribui ativamente para a doença, em vez de responder apenas aos danos.
 

A esclerose lateral amiotrófica mata gradualmente as células nervosas no cérebro e na espinal medula. Esta é uma das doença neuromusculares mais prevalentes, com cerca de 10% dos diagnósticos a resultarem de uma mutação no gene C9orf72.
 

Os autores do estudo referem que estes achados podem conduzir a novas terapias que tenham por alvo a disfunção das células do sistema imunitário, particularmente nos indivíduos portadores da mutação no gene C9orf72.
 

A primeira autora do estudo, Jacqueline Gire O'Rourke, acrescentou que estes resultados podem ajudar também os médicos a perceber as disparidades entre os portadores desta mutação e os outros pacientes com esclerose lateral amiotrófica.
 

“O nosso trabalho abre a possibilidade de os portadores do gene C9orf72 responderem de uma forma diferente aos fármacos imunomodeladores comparativamente aos outros pacientes com a doença”, concluiu a investigadora.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.