Erro clínico é a oitava causa de morte

Relatório da Academia das Ciências de Nova Iorque alerta para a situação

18 março 2002
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Por erros que se poderiam evitar na prestação de cuidados de saúde morrem, todos os anos, 98 mil doentes. É um dado perturbador divulgado pelo relatório da Academia das Ciências de Nova Iorque referente ao ano 2000.
 

O médico e professor universitário, Jorge Soares, director do Instituto de Medicina Legal de Lisboa, fez deste o tema da sua comunicação apresentada no fórum realizado, na quinta-feira, na Sociedade das Ciências Médicas, em Lisboa.
 

 

Com o título de "Erro Médico - outros tempos, novos paradigmas" a sua exposição relatou dados inquietantes: "15 por cento dos factos anómalos e inesperados que surgem na prática de cuidados de saúde resultam de erros"; "a hospitalização condiciona um conjunto de efeitos adversos que afectaram, em 1998, entre 2,9 e 3,7 por cento dos doentes nos estados de Utah e de Nova Iorque"; "destes últimos, 13,9 por cento cursaram de um modo fatal"; "Metade desses acontecimentos adversos (...) resultaram de erros cognitivos de omissão (o que não se fez), de comissão (o que se fez), de percepção ou outros, e que poderiam ter sido evitados", explicou ao «Público» Jorge Soares.
 

 

Por extrapolação dos números apresentados no relatório da Academia de Nova Iorque, "poderia dizer-se que o erro médico é a oitava causa de morte, o que sobreleva, nos Estados Unidos, o número de casos fatais devidos a acidentes rodoviários (43.458), o cancro mamário (42.297) e, muito acima dos valores relativos a óbitos em doentes com sida (16.520)", concluiu Jorge Soares, afirmando que nos encontramos, assim, "perante um fenómeno de dimensão social e com grande importância para a profissão médica".
 

 

Notando, contudo, que errar é um atributo da natureza humana, Jorge Soares enumerou as cinco grandes mudanças que, na sua perspectiva, alteraram os paradigmas relativos a esta matéria: a mudança do cenário convencional da relação médico-doente, do próprio conceito do erro como acto singular do médico, a noção de que o erro é expressão de uma má conduta, incompetência ou incorrecção profissional, bem como o esforço para a avaliação dos mecanismos que propiciaram o erro.
 

 

Para este médico, "a maior parte dos erros em medicina ou em cuidados de saúde são centrados em hospitais e em doentes hospitalizados" e "os serviços de urgência são uma fonte natural de contribuição para a prática de erros". Isto pela sobrelotação, a observação simultânea de vários doentes, os equipamentos sofisticados para os quais médicos e outros profissionais não foram convenientemente treinados, tornando-os mais susceptíveis a serem defeituosamente manipulados, a fadiga ou o "stress".
 

 

Fonte:Público
 

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