Erradicação da poliomielite leva a esquecimento das suas consequências

Alerta de um investigador

11 julho 2012
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A erradicação da poliomielite, doença incapacitante associada à infância que desapareceu da Europa em 2002, leva ao esquecimento sobre as consequências da doença nas pessoas afetadas, de acordo com um investigador universitário.

 

"A partir do momento em que a doença foi erradicada, esqueceu-se rapidamente a sua existência, as pessoas esqueceram-na, já não conhecem a poliomielite", revelou à agência Lusa Juan António Rodriguez, coordenador de um grupo de investigadores ibéricos das universidades de Salamanca e de Coimbra.

 

A poliomielite, conhecida como paralisia infantil, é provocada por um vírus transmitido através da ingestão de água e alimentos contaminados, que pode infetar o sistema nervoso e afeta a capacidade locomotora.

 

Apesar de afetar mais frequentemente as crianças, pode ocorrer na idade adulta, existindo uma vacina que foi desenvolvida em finais da década de 1950. "Com o esquecimento de que a poliomielite existiu, vem a negação e, com ela, dois problemas: por um lado, que continua a existir em outras partes do mundo, como certos países africanos e asiáticos [por falta de condições sanitárias e de higiene] onde, seja por fundamentalismos religiosos ou conflitos bélicos, não se aplica a vacina", explicou Juan António Rodriguez.

 

"Existindo [a doença nesses países], significa que esses casos nos podem chegar a qualquer momento. Não vamos ter uma epidemia, mas temos de ter presente que, em países como Portugal ou Espanha, poderão vir a surgir casos isolados de poliomielite", alertou.

 

De acordo Juan António Rodriguez, o outro problema, proveniente do "esquecimento" que a sociedade atual foi desenvolvendo sobre a doença, reflete-se nas próprias vítimas da poliomielite, que hoje têm idades a partir dos 40 a 50 anos.

 

"Queremos esquecer e não nos damos conta que há pessoas que tiveram a doença, estão vivas e têm sequelas, uma série de problemas", frisou.
O investigador acrescentou que as pessoas afetadas por esta doença e que tiveram sequelas, entre 50 a 80% dos casos, vivem hoje com próteses ou com outros instrumentos de apoio, no dia-a-dia, como muletas ou andarilhos e podem apresentar uma síndrome "post-polio".

 

"Em alguns países [a síndrome] é considerada uma doença rara, porque tem uma baixa incidência, mas a pessoa que dela padece precisa de um diagnóstico, os profissionais de saúde devem conhece-lo para levar essa pessoa a um neurologista e não só a um ortopedista, como muitas vezes acontece", sustentou.

 

Rodríguez considerou este diagnóstico "fundamental", "não tanto para um tratamento, porque desgraçadamente não existe tratamento, mas para que [o doente] possa ter uma série de apoios e serviços sociais de que necessita", acrescentou.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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