Erradicação da malária cada vez mais perto

Declarações de um especialista

23 setembro 2015
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A erradicação da malária no mundo nunca esteve tão perto, mas ainda há um longo caminho a percorrer e é preciso evitar que se cruzem os braços face ao sucesso já alcançado, disse um investigador português.
 
Henrique Silveira, investigador do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) de Portugal, referiu à agência Lusa que os resultados do recente relatório conjunto da OMS e UNICEF, divulgado a 17 deste mês, indicaram que a taxa de mortalidade da malária baixou 60% desde 2000, embora existam ainda três mil milhões de pessoas em risco de contrair a doença.
 
De acordo com o documento, a queda de mortalidade traduziu-se em 6,2 milhões de vidas poupadas nos últimos 15 anos, perto de seis milhões dos quais crianças menores de cinco anos, o grupo mais vulnerável à malária, maioritariamente na África subsaariana.
 
"Nunca estivemos tão próximo (de acabar com a malária), mas o caminho a percorrer ainda é gigante. E a grande mensagem do relatório é essa. Nos últimos 15 anos tivemos um grande sucesso, mas não podemos agora cruzar os braços e deixar as coisas a rolar. Temos de continuar a manter o esforço para controlar a malária", disse.
 
"Há um grande caminho a percorrer, que é desigual. Onde existem recursos para combater a malária não há a doença e onde não existem recursos é onde a doença está concentrada", acrescentou Henrique Silveira.
 
Segundo o investigador, formado no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), com pós-graduações no Imperial College e no London School, ambos em Londres, o combate à doença também conhecida como paludismo terá sempre de ser multidisciplinar, pelo que procurar uma vacina, por exemplo, não será suficiente.
 
"Uma vacina seria muito importante. Há uma vacina que está a ser testada em vários locais em África, que já teve um parecer positivo da Agência Europeia do Medicamento, que é um grande passo. Mas a vacina, por si só, não pode ser utilizada isoladamente. Temos de nos socorrer de tudo: tratamento, melhoria das condições sanitárias e luta antivetorial. A vacina será mais uma achega para isso", defendeu.
 
Nesse sentido, Henrique Silveira defendeu que a malária vai continuar a ser endémica durante mais algum tempo, sobretudo na grande maioria dos países da África subsaariana, pois os riscos passam pela evolução ou mutação do parasita, em que a investigação não poderá dar tréguas, estando em curso, lembrou, o processo de esterilização do mosquito transmissor.
 
"O esforço de controlo deve ser continuado. Se hoje ou amanhã se decidir que o programa da malária é demasiado caro e não se quer mais investir, de certeza que vamos ter de volta malária nos números pré-intervenção. Deixa de haver investimento, os números começam a subir e tornam-se catastróficos ao fim de poucos anos", insistiu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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