Erradicação da malária?

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

13 junho 2014
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Investigadores do Reino Unido modificaram mosquitos portadores da malária para que estes produzissem sémen que apenas contribui para uma descendência do sexo masculino, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 

Neste estudo os investigadores do Imperial College of London, no Reino Unido, foram capazes de alterar a proporção de fêmeas e machos do principal veículo de transmissão do parasita da malária, o “Anopheles gambiae”.
 

Os investigadores, liderados por Andrea Crisanti, criaram mosquitos completamente férteis em que a sua descendência era maioritariamente do sexo masculino, cerca de 95%. No estudo os mosquitos geneticamente modificados foram colocados em cinco compartimentos com populações de mosquitos selvagens. Foi verificado que em quatro das cinco jaulas a população de mosquitos foi eliminada ao longo de seis gerações, devido à falta de fêmeas.
 

Os investigadores têm esperança de conseguir replicar estes resultados na natureza, o que em última instância poderia eliminar a população de mosquitos portadores da malária.
 

Desde 2000, que o aumento das medidas de prevenção e controlo conseguiu reduzir a taxa de mortalidade global da malária em 42%. Contudo, esta doença continua ainda a matar nas regiões da África subsariana. O controlo da malária tem também sido ameaçado pela propagação da resistência dos mosquitos aos inseticidas e também pela resistência dos parasitas da malária aos fármacos.
 

De acordo com as últimas estimativas da Organização Mundial da Saúde, mais de 3.400 milhões de pessoas estão em risco de contraírem a malária estimando-se que 627.00 pessoas morram anualmente devido à doença.
 

“A malária é uma doença debilitante e muitas vezes fatal, havendo por isso a necessidade de encontrar novas formas de a controlar. Pela primeira vez fomos capazes de eliminar a produção de descendência do sexo feminino, o que fornece uma nova forma de eliminar a doença”, revelou, em comunicado de imprensa, Andrea Crisanti.
 

“O que é mais prometedor sobre os nossos resultados é que eles são na realidade autossustentáveis. Após a introdução dos mosquitos modificados, os machos começarão a produzir predominantemente filhos, e os seus filhos irão fazer o mesmo, os mosquitos vão essencialmente fazer o nosso trabalho”, revelou ainda um outro líder do estudo, Nikolai Windbichler.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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