Equilíbrio intestinal: como atingi-lo?

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience”

13 agosto 2013
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É um grande desafio criar um ambiente que nutra os triliões de microrganismos benéficos nos intestinos e que simultaneamente proteja o sistema digestivo contra os patogénios invasores. O estudo publicado agora na “Plos Pathogen” identificou uma proteína que tem um papel chave neste equilíbrio.
 

Os investigadores do Lerner Research Institute em Cleveland, nos EUA, e da University of British Columbia, no Canadá, referem que a proteína SIGIRR, presente na superfície das células do intestino, amortiza a resposta imune inata destas células às bactérias. Este estudo, liderado por Xiaoxia Li e Bruce Vallance, mostrou que a função desta proteína em ratinhos, e também provavelmente nos humanos, é necessária para a proteção dos intestinos contra o ataque hostil das bactérias que causam graves intoxicações alimentares e inflamação dos intestinos.
 

Os investigadores começaram por infetar os animais que não apresentavam o gene que codifica a proteína SIGIRR com bactérias que causam intoxicações alimentares nos roedores, Escherichia coli ou Salmonella Typhimurium. Apesar de estes apresentarem uma resposta imune mais forte, comparativamente com aqueles que tinham a função desta proteína preservada, foram incapazes de se defender contra os patogénios, ficando mais doentes que os restantes animais.
 

Posteriormente, os investigadores analisaram a flora intestinal que habitualmente coloniza os intestinos para tentar identificar o mecanismo envolvido na proteção conferida pela proteína. Habitualmente a flora intestinal, que é benéfica, atrasa ou consegue mesmo impedir que os patogénios infetam os intestinos. Isto é conseguido através da competição pelo espaço e nutrientes.
 

Em consonância com esta função, a resposta antimicrobiana exagerada despoletada pelos patogénio na ausência da SIGIRR causa uma rápida e dramática perda de microrganismos benéficos. Esta diminuição pareceu reduzir a capacidade de as bactérias residentes competirem com os patogénios invasores, deixando os intestinos altamente vulneráveis à colonização dos patogénios tóxicos.
 

Assim, a função da SIGIRR parece refletir uma estratégia de equilíbrio que sacrifica a resposta imunológica máxima de forma a proteger as populações de microrganismos residentes benéficos, que (quando preservada) fornece uma forte barreira contra os microrganismos invasores e tóxicos.
 

Os resultados sugerem que o nosso sistema imunológico não parece ser muito bom a impedir as infeções alimentares e que, ao longo da evolução, fomos adquirindo bactérias capazes de nos proteger contra os patogénios. Se esta relação mutualista for quebrada ficamos altamente suscetíveis às infeções.
 

Os autores do estudo referem ainda que a modulação da função da SIGIRR pode um dia funcionar como terapia para as doenças gastrointestinais, como a doença inflamatória do intestino.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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