Equilíbrio bacteriano intestinal pode adiar problemas de saúde relacionados com a idade

Estudo publicado no “Cell Reports”

30 setembro 2015
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As bactérias intestinais poderão constituir um método promissor de prever a saúde dos indivíduos quando estes envelhecem, revela um estudo levado a cabo por cientistas da Universidade da Califórnia (UCLA), nos EUA.
 
“O declínio relacionado com a idade encontra-se estreitamente ligado a alterações na comunidade microbiana intestinal”, refere o autor do estudo, David Walker, em comunicado de imprensa. “Com a idade, o número de células bacterianas aumenta substancialmente e a composição dos grupos bacterianos altera-se”.
 
Este estudo procurou perceber por que razão algumas pessoas se mantêm saudáveis para lá dos 80 anos de idade, enquanto outras envelhecem mais depressa e sofrem de doenças graves mais cedo.
 
Para isso, os cientistas estudaram as moscas da fruta, em parte por estas possuírem um período de vida equivalente aos 80 ou 90 anos humanos e, tal como os humanos, por algumas envelhecerem e morrerem mais cedo do que outras. Além disso, os genes deste animal encontram-se totalmente identificados, permitindo aos cientistas ativar ou desativar genes individuais, conforme a necessidade.
 
Os cientistas da UCLA haviam já descoberto que os intestinos das moscas da fruta se tornavam mais permeáveis e começavam a apresentar fugas alguns dias antes de estas morrerem. Quando ocorre uma fuga intestinal, a resposta imunológica do animal aumenta consideravelmente e de forma crónica em todo o organismo, o que está associado a doenças associadas à idade, tal como acontece nos humanos, refere Walker.
 
Para este estudo, os cientistas analisaram mais de dez mil moscas fêmeas e descobriram alterações bacterianas nos intestinos dos animais antes do início da fuga. As moscas tratadas com antibiótico apresentaram uma redução significativa dos níveis bacterianos no intestino, tendo, desta forma, a medicação evitado o aumento bacteriano normalmente associado à idade e melhorado a função intestinal ao longo do processo de envelhecimento. 
 
Os cientistas descobriram ainda que as moscas com fugas no intestino que receberam antibióticos viveram em média mais 20 dias do que as restantes. Este aumento de duração corresponde a uma parte considerável do seu período de vida que é, em média, cerca de oito semanas. As moscas com fugas no intestino que não receberam medicação morreram, em média, uma semana após a fuga. Ou seja, os investigadores demonstraram, desta forma, que a redução da quantidade de bactérias intestinais em moscas mais velhas prolongava significativamente a sua duração.
 
A investigação contou ainda com outro grupo de moscas criadas em laboratório que não apresentavam microrganismos intestinais. Este tipo de animal revelou um atraso considerável na apresentação de danos intestinais, tendo vivido cerca de 80 dias, o correspondente a aproximadamente 50% a mais do que a duração normal das moscas da fruta.
 
Os cientistas começaram recentemente a relacionar uma série de doenças, como a diabetes e a doença de Parkinson, a alterações na comunidade microbiana, embora não saibam exatamente como deve ser uma comunidade microbiana saudável.
 
Para Walker, os achados deste estudo poderão indicar novos caminhos realistas para a comunidade científica intervir no processo de envelhecimento e, desta forma, atrasar o início de diversas doenças, tais como Parkinson, Alzheimer, AVC e outras. Contudo, alerta o cientista, este tipo de progressos poderá ainda demorar vários anos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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