Epilepsia: novo método pode revolucionar cirurgia

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

11 julho 2016
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Investigadores do Reino Unido desenvolveram uma técnica pioneira que pode revolucionar o tratamento cirúrgico da epilepsia, uma vez que identifica regiões específicas do cérebro que desencadeiam as convulsões, dá conta um estudo publicado na revista “Scientific Reports”.
 

A técnica, desenvolvida pelos investigadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, foi concebida para ajudar os cirurgiões e os neurologistas a medir a contribuição relativa da ocorrência de convulsões por diferentes regiões do cérebro. Através desta técnica poderá ser possível determinar quais as regiões cerebrais que ao serem retiradas produzirão um maior benefício.
 

Atualmente, os pacientes com epilepsia são tratados inicialmente com medicação com o intuito de reduzir ou eliminar a ameaça das convulsões. No entanto, os fármacos antiepiléticos não são eficazes em cerca de um terço das pessoas. Nestes casos, os pacientes podem optar por serem submetidos a uma cirurgia para remoção das partes do cérebro que não afetam o funcionamento do cérebro, mas que podem ajudar a reduzir o risco de convulsões.
 

Contudo, as abordagens atuais de identificação das regiões do cérebro envolvidas nas convulsões são apenas parcialmente eficazes. No entanto, a nova técnica pode melhorar drasticamente a taxa de sucesso das cirurgias e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
 

Os investigadores, liderados por Marc Goodfellow e John Terry, aperfeiçoaram o novo método através do estudo do registo da atividade elétrica cerebral de 16 indivíduos com epilepsia que tinham sido submetidos a uma cirurgia para tratar as convulsões.
 

Foram utilizadas as leituras antes da cirurgia no modelo matemático desenvolvido para prever quais as aéreas que produziam resultados mais eficazes. As previsões foram posteriormente comparadas com os resultados obtidos através da cirurgia.
 

O estudo apurou que nos pacientes que responderam bem à cirurgia, as regiões cerebrais removidas estavam incluídas naquelas que o modelo tinha indicado como as que poderiam conduzir a um bom resultado. Por outro lado, nos pacientes que não responderam bem à cirurgia, as regiões cerebrais removidas não se encontravam entre aquelas que o modelo tinha previsto que conduziriam a um bom resultado.
 

“Fomos capazes de comparar, pela primeira vez, as previsões realizadas por um modelo computacional aplicado aos registos cerebrais pré-cirúrgicos com os resultados pós-cirúrgicos de um grupo de pacientes com epilepsia. Obtivemos uma boa concordância entre o resultado previsto pelo nosso modelo com o resultado real obtido através da cirurgia”, referiu, em comunicado de imprensa, Marc Goodfellow.
 

Os investigadores concluem que este novo método poderá ajudar a aumentar a eficácia das cirurgias e a melhorar as vidas dos pacientes que, de outra forma, teriam de viver com a constante ameaça das convulsões.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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