Epilepsia ligada a diferenças físicas no cérebro

Estudo publicado na revista “Brain”

24 janeiro 2018
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Um estudo recente revelou diferenças na espessura e volume na massa cinzenta em várias áreas do cérebro.
 
Conduzido pela Universidade College of London, Inglaterra, e pela Faculdade de Medicina Keck da Universidade do Sul da Califórnia, EUA, o estudo revela assim que a epilepsia envolve mais diferenças físicas generalizadas do que se pensava, mesmo nos casos considerados mais “benignos”. Estas diferenças são, no entanto, bastante subtis e não implicam a perda de funções.
 
Para o estudo, a equipa contou com dados de 24 centros de investigação de todo o mundo, que envolveram medidas estruturais do cérebro de 2.149 pessoas com epilepsia, e que foram comparadas com as de 1.727 controlos saudáveis.
 
O grupo com epilepsia foi analisado em conjunto para detetar padrões comuns e depois foi dividido em quatro subgrupos para identificação de diferenças.
 
Como resultado, foi observada uma menor espessura na massa cinzenta em partes do córtex cerebral e menos volume nas regiões subcorticais do cérebro em todos os grupos de pacientes com epilepsia. Um menor volume e espessura foram associados a uma maior duração da epilepsia.
 
Mais, os pacientes com epilepsia tinham menor volume no tálamo direto (uma região que transmite sinais motores e sensoriais, e que foi anteriormente associada a certos tipos de epilepsia) e uma menor espessura no córtex motor (uma região que controla o movimento do corpo).
 
Estes padrões estavam, inclusivamente, presentes em pacientes com epilepsias generalizadas idiopáticas, que apresentam uma tal falta de alterações visíveis no cérebro que podem passar mesmo desapercebidas a um neurorradiologista experiente.
 
“Identificámos uma assinatura neuroanatómica comum para a epilepsia, em múltiplos tipos de epilepsia. Descobrimos alterações estruturais presentes em múltiplas regiões do cérebro, o que significam que percebemos a epilepsia como uma doença ligada a redes”, comentou Christopher Whelan, primeiro autor do estudo. 
 
Os autores consideram que estes achados devem ser seguidos de estudos genéticos e longitudinais para apurar a causa das diferenças estruturais observadas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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