Epilepsia: identificado recetor-chave

Estudo publicado na revista “Neuron”

26 junho 2013
  |  Partilhar:

Investigadores americanos identificaram um recetor no sistema nervoso que pode ser a chave para a prevenção da epilepsia após um período prolongado de convulsões, dá conta um estudo publicado na revista “Neuron”.
 

A epilepsia é uma doença neurológica caracterizada por convulsões frequentes. A epilepsia do lóbulo temporal, que é a forma mais comum da doença, é caracterizada por convulsões que ocorrem numa região do cérebro envolvida no armazenamento da memória, linguagem, emoções e onde os sentidos são também processados. Estes pacientes têm convulsões que alteram a sua consciência e que também afetam as suas atividades quotidianas, incluindo a manutenção do seu posto de trabalho ou a obtenção da carta de condução.
 

Os tratamentos convencionais têm por alvo os sintomas da doença, tentando reduzir a frequência das convulsões. Contudo, muitas das pessoas com epilepsia do lóbulo temporal continuam a ter convulsões apesar de tomarem medicamentos.
 

Estudos anteriores, que envolveram indivíduos com epilepsia do lóbulo temporal, constataram que muitos têm inicialmente um episódio de convulsões prolongadas, conhecido como estado epilético. Este estado é frequentemente seguido por um período sem crises antes de os pacientes começarem a ter convulsões recorrentes do lóbulo temporal.
 

Investigações anteriores verificaram que um dos recetores do sistema nervoso, o TrkB, desempenhava um papel importante na transformação da forma normal para a epilética do cérebro. Neste estudo, os investigadores da Duke Medicine, nos EUA, decidiram confirmar se o TrkB era importante para estado epilético induzido.
 

Os investigadores utilizaram ratinhos saudáveis e geneticamente modificados, nos quais a toma de um fármaco inibia o TrkB no cérebro. Na ausência do fármaco, os ratinhos geneticamente modificados tornavam-se epiléticos, o que mostra que a inibição do recetor impede o início da epilepsia.

 

Quando os investigadores induziram o estado epilético nos animais, os dois grupos de ratinhos desenvolveram epilepsia. Contudo, o tratamento com o fármaco, após um período longo de convulsões, impediu apenas a epilepsia nos ratinhos geneticamente modificados. O estudo refere que o tratamento com o fármaco foi administrado ao longo de duas semanas, sendo suficiente para impedir o desenvolvimento de convulsões semanas mais tarde.
 

Estes resultados sugerem que a terapia preventiva necessita apenas de ser administrada ao longo de um período limitado de tempo, após a ocorrência de convulsões prolongadas, e não durante toda a vida. Desta forma, poderão ser evitados os efeitos secundários indesejados que ocorrem com a toma prolongada da medicação.  
 

“Este estudo abre caminho para o desenvolvimento de tratamentos capazes de impedir o desenvolvimento da epilepsia“, conclui uma das autoras do estudo, Vicky Whittemore.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.