Epilepsia: identificada nova rede genética

Estudo publicado na revista “Genome Biology”

15 dezembro 2016
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Investigadores do Reino Unido descobriram uma rede genética no cérebro associada à epilepsia, um achado que pode conduzir ao desenvolvimento de novos tratamentos para esta condição, dá conta um estudo publicado na revista “Genome Biology”.
 
A equipa liderada pelos investigadores do Imperial College London, no Reino Unido, identificaram uma “rede epilética” de 320 genes, denominada M30, que esta associada à epilepsia. Os cientistas acreditam que os genes presentes nesta rede estão envolvidos na forma como as células cerebrais comunicam umas com as outras.
 
A epilepsia é uma das doenças neurológicas graves mais comuns em todo o mundo. No entanto, apesar de existirem quase cerca de 30 fármacos diferentes aprovados para esta condição, um terço dos pacientes com epilepsia continuam a sofrer de crises epiléticas descontroladas apesar de tomarem medicação.
 
Michael Johnson, um dos autores do estudo, refere que nos últimos 100 anos não se fizeram muitos progressos no que diz respeito à identificação de fármacos mais eficazes contra a epilepsia. Contudo, a descoberta desta rede de genes poderá conduzir ao desenvolvimento de novos tratamentos.
 
A epilepsia desencadeia convulsões as quais acredita-se que sejam causadas pelo envio de sinais cerebrais defeituosos entre as células cerebrais. Na maioria dos indivíduos com epilepsia a doença é causada pelos seus genes. Contudo, um terço dos casos são desencadeados por danos cerebrais resultantes de traumatismos cranianos, acidente vascular cerebral, tumores ou infeção.
 
Neste estudo, os investigadores utilizaram técnicas computacionais para explorar milhares de genes e mutações associados à epilepsia. Foram também analisados os dados de cérebros humanos saudáveis, para identificar redes de genes que pareciam trabalhar em conjunto e associados à doença. Os investigadores utilizaram ainda dados de ratinhos para confirmar que o mau funcionamento desta rede desencadeava convulsões.
 
Posteriormente foram analisados, através de programas de computador, 1300 fármacos para prever quais poderiam ajudar a restaurar a rede genética, Um dos fármacos encontrados foi o ácido valproico, envolvido no tratamento da epilepsia.
 
A análise também identificou outros fármacos que não tinham sido previamente considerados como antiepiléticos. Um desses foi o withaferin A, um composto derivado de uma planta conhecida como ginseng indiano que tem sido utilizado na medicina Ayurveda durante séculos para tratar uma série de doenças, incluindo a epilepsia.
 
Michael Johnson refere que, nos últimos anos, a comunidade científica tem tentado identificar genes específicos associados à doença. No entanto, os investigadores estão cada vez mais conscientes de que os genes não funcionam isoladamente. Desta forma, a identificação de grupos de genes que funcionam em conjunto pode conduzir a tratamentos mais eficazes. 
 
Este estudo comprova que esta abordagem de biologia de rede pode ajudar a identificar novos fármacos para a epilepsia, sendo que os métodos também podem ser aplicados a outras doenças.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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