Epilepsia: dietas podem ajudar no controlo das convulsões?

Estudo publicado na revista “Neurology”

03 novembro 2014
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A adoção de uma dieta com teor elevado de gorduras e baixo em hidratos de carbono, como a dieta cetogénica ou a dieta de Atkins modificada, pode reduzir as convulsões em indivíduos com epilepsia de difícil tratamento, revela um estudo publicado na revista “Neurology”.
 

“Necessitamos de tratamento para os 35% dos pacientes com epilepsia cujas convulsões não param com a toma de medicação”, referiu, em comunicado de imprensa, o primeiro autor do estudo, Pavel Klein.
 

A dieta cetogénica é frequentemente utilizada nas crianças, mas poucos foram os estudos que demonstraram a sua eficácia em adultos. Este tipo de dieta e a dieta de Atkins modificada incluem o consumo de bacon, ovos, manteiga, vegetais verdes e peixe. A dieta cetogénica consiste numa proporção gordura: proteína/hidratos de carbono de 3:1 ou 4:1 por peso. Na dieta de Atkins modificada, a proporção de gordura e de proteína/hidratos de carbono é de 0,9:1 por peso. Ou seja na dieta citogénica 87 a 90%das calorias consumidas são provenientes da gordura, enquanto na dieta de Atkins modificada, 50% das calorias resultam da ingestão de gorduras.
 

Para este estudo, os investigadores Mid-Atlantic Epilepsy and Sleep Center, nos EUA, fizeram uma revisão de cinco estudos sobre a dieta cetogénica que envolveram 47 indivíduos e analisaram outros cinco sobre a dieta de Atkins modificada que incluíram 85 pessoas.
 

O estudo apurou que, 32% dos indivíduos submetidos à dieta cetogénica e 29% dos tratados com a dieta de Atkins modificada apresentaram uma redução de 50% ou mais nas convulsões. Nove por cento daqueles incluídos na dieta cetogénica e 5% dos que adotaram a dieta de Atkins modificada tiveram uma redução de 90% nas convulsões.
 

O efeito positivo nas convulsões ocorreu rapidamente nas duas dietas. Apesar de o efeito ter persistido a longo prazo, ao contrário das crianças, os resultados não permaneceram após os participantes terem interrompido as dietas. Os feitos secundários das duas dietas foram semelhantes e não foram graves.
 

"Infelizmente, a adoção prolongada destas dietas é baixa, pois estas são limitadas e complicadas. Eventualmente, a maioria das pessoas interrompe a dieta devidos às restrições culinárias e sociais”, disse Pavel Klein.
 

No entanto, o investigador acrescentou que estes estudos demonstraram que estas dietas podem ser uma opção para as pessoas com epilepsia.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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