Epilepsia: derivado da canábis pode reduzir convulsões

Estudo publicado na revista “The Lancet Neurology”

05 janeiro 2016
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Investigadores americanos constataram que um derivado da canábis medicinal reduz com eficácia a frequência das convulsões e é seguro para a maioria das crianças e jovens adultos com epilepsia, sugere um estudo publicado na revista “The Lancet Neurology”.
 

O canabidiol (CBD, sigla em inglês) é um dos muitos compostos presentes na canábis que pertence a uma classe de moléculas conhecidas por canabinóides. O CBD e o tetrahidrocanabinol (THC, sigla em inglês) são os compostos que se encontram em concentrações mais elevadas na canábis. Contudo, o THC tem propriedades psicoativas enquanto o CBD não tem este tipo de efeitos.
 

Ao longo dos últimos anos, o CBD tem sido investigado devido aos seus efeitos positivos na epilepsia, um distúrbio neurológico que pode causar convulsões.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Nova Iorque, nos EUA, contaram com a participação de 214 indivíduos com idades compreendidas entre o um ano e os 30 anos aos quais foi prescrito um tratamento oral de CBD, o Epidiolex, ao longo de 12 semanas.
 

Os participantes começaram por receber, por via oral, entre 2 a 5 mg/kg por dia de CBD. Esta dose foi aumentada até ocorrer intolerância ou até uma dose máxima de 25 mg/kg ou 50 mg/kg por dia. Adicionalmente, os pais ou os cuidadores registaram diariamente a ocorrência de convulsões. Foram também conduzidos rastreios laboratoriais no início do estudo e após quatro, oito e 12 semanas do tratamento com CBD.
 

O estudo apurou que, em média, ocorreu uma diminuição de 36,5% no número de convulsões mensais. A frequência média mensal das convulsões diminui de 20 por mês para 15,8 ao longo das 12 semanas. Os investigadores constataram também que a administração de CBD foi segura e bem tolerada pela maioria dos pacientes.
 

Os eventos adversos relatados pelos participantes incluíram sonolência, diminuição do apetite, diarreia, fadiga e convulsões. Apesar de a maioria dos eventos terem sido ligeiros ou moderados, 20 pacientes apresentaram eventos adversos graves, incluindo convulsões com um tempo de duração longo ou num curto espaço de tempo. No total cinco pacientes tiveram que interromper o tratamento.
 

Na opinião do líder do estudo, Orinn Devinsky, apesar de os resultados serem animadores e “antes de se criarem esperanças para famílias que lidam regularmente com a epilepsia resistente ao tratamento, é necessária mais investigação para definitivamente recomendar o CBD como um tratamento para pacientes com epilepsia com convulsões descontroladas”.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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