Epilepsia: como afeta a aprendizagem das crianças?

Estudo conduzido pelos UCL Institute of Child Health

15 outubro 2013
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A epilepsia afeta o sono e a aprendizagem das crianças, uma relação que pode ser mais complexa do que se pensava, sugerem os investigadores do UCL Institute of Child Health.
 

De acordo com o Charity 'Young Epilepsy', no Reino Unido, mais de uma em cinco pessoas com epilepsia têm dificuldades de aprendizagem e intelectuais. Há dois anos, os investigadores da Universidade de Bruxelas, na Bélgica, constataram que as crianças com epilepsia apresentavam uma pior memória, comparativamente com as crianças saudáveis. Um fenómeno que os investigadores acreditam estar associado com a consolidação da memória durante o sono.
 

Encorajados por estes resultados a Charity 'Young Epilepsy' resolveu financiar uma investigação, levada a cabo pelos investigadores do UCL Institute of Child Health, para tentar aprofundar os conhecimentos sobre a forma como os problemas intelectuais das crianças com epilepsia estão associados à qualidade de sono e consequentemente à consolidação da aprendizagem.
 

A líder deste projeto, Helen Cross, referiu recentemente no congresso da Sociedade Europeia de Neurologia Pediátrica que mesmo as crianças com epilepsia moderada apresentam perdas mensuráveis na capacidade de aprendizagem. A especialista acredita que este facto está relacionado com os picos de atividade elétrica do cérebro, chamadas descargas epilépticas. Estas são semelhantes aos distúrbios elétricos que ocorrem durante um ataque epilético, mas não são suficientemente fortes para desencadear uma convulsão. Estas descargas elétricas anormais são comuns entre os indivíduos com epilepsia mas também tem sido observado nas crianças com déficit de atenção com hiperatividade.
 

"Há estudos que mostram que as pessoas consolidam as memórias durante o sono. Desta forma, se um indivíduo for submetido a um teste de associação ou emparelhamento de palavras e fizer o mesmo teste no dia seguinte, depois de um período de bom sono, o desempenho aumenta. Sabemos também que se o sono for interrompido, os resultados não são tão bons. Por outro lado, existem determinados tipos de epilepsia que têm uma atividade epileptiforme contínua durante o sono, o que pode ter também um grande impacto na memória “, explicou a investigadora.
 

A epilepsia pode ter um impacto devastador nas crianças e nas famílias, sendo o controlo das convulsões muito importante, refere Helen Cross. Contudo, se a nova investigação confirmar a associação entre as descargas epileptiformes, pobre qualidade de sono e aprendizagem, pode haver a necessidade de adoção de um tratamento mais agressivo para estas crianças, com o objetivo não apenas de impedir as convulsões, mas também de atenuar os padrões noturnos cerebrais da atividade cerebral.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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