Epilepsia: ácidos gordos ómega-3 podem reduzir frequência de convulsões

Estudo publicado na revista “Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry”

11 setembro 2014
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O consumo de baixas doses de ácidos gordos ómega-3 encontrados no óleo de peixe poderá diminuir a frequência de convulsões nos indivíduos com epilepsia, defende um estudo publicado no “Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry”.
 
Estudos anteriores já tinham indicado que os ácidos gordos ómega-3 eram capazes de estabilizar o ritmo cardíaco e impedir enfartes agudos do miocárdio. Na opinião do líder do estudo, estes são achados importantes na medida em que os indivíduos com epilepsia apresentam elevado risco de terem um enfarte agudo do miocárdio comparativamente com aqueles que não sofrem desta condição. 
 
Adicionalmente, os ácidos gordos ómega-3 têm também sido associados a uma redução de excitabilidade das células cerebrais nos epiléticos. Contudo, os investigadores referem que estas associações têm sido inconclusivas quando utilizadas elevadas doses de ácidos gordos ómega-3. 
 
Neste estudo, os investigadores da Universidade de Califórnia, nos EUA, contaram com a participação de 24 indivíduos com epilepsia que tinham deixado de responder à medicação. Cada paciente foi submetido a três regimes de tratamento distintos, tendo cada um deles uma duração de 10 semanas. A dose mais baixa consistiu na toma de três suplementos diários, o equivalente a 1,080 mg de ácidos gordos ómega-3. A dose intermédia incluiu a toma de seis suplementos diários, cerca de 2,160 mg de ácidos gordos ómega-3. O terceiro tratamento compreendeu a toma de três placebos duas vezes ao dia.
 
O estudo apurou que o número médio de convulsões para os pacientes que tinham tomado a dose mais baixa de ácidos gordos ómega-3 foi de 12 por mês, comparativamente com as 17 para os indivíduos submetidos ao tratamento com doses elevadas e as 18 para os incluídos no grupo de controlo. Estes resultados significam que a toma de doses mais baixas de suplementos de ácidos gordos ómega-3 conduziu a uma redução de cerca de 36% nas convulsões.
 
Os investigadores verificaram ainda que dois dos pacientes tratados com baixas doses de ácidos gordos ómega-3 não tiveram nenhuma convulsão ao longo das 10 semanas. O mesmo não ocorreu nos outros dois grupos. As doses baixas de ácidos gordos ómega-3 foram também associadas a uma pequena diminuição da pressão arterial, 1,95 mm Hg, ao longo das 10 semanas. Por outro lado, as doses mais elevadas conduziram a um aumento da pressão arterial em cerca de 1,84 mm Hg.
 
Os autores do estudo referem, no entanto, que não foi encontrada qualquer associação entre os ácidos gordos ómega-3 e a severidade das convulsões, alterações no ritmo cardíaco e níveis lipídicos. 
 
Os investigadores concluem que apesar de estes resultados ainda necessitarem de ser confirmados em estudos de maiores dimensões, a toma de baixas doses de ácidos gordos ómega-3 parece ser uma forma segura de reduzir a frequência das convulsões e de melhorar a saúde cardiovascular.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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