Epidemia provoca pânico na Ásia

Casos continuam a aumentar

31 março 2003
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O surto epidémico de pneumonia atípica tem provocado uma onda de pânico na Ásia. Além dos cancelamentos de viagens para aquela região, algumas empresas pediram para os funcionários trabalharem em casa ou activarem escritórios reserva em caso de contaminação dos locais de trabalho. Alguns estrangeiros, pura e simplesmente, deixaram Hong Kong.
 

 

Em Singapura, vários grupos enfermeiros estão a examinar os passageiros vindos das regiões afectadas. A Igreja Católica do país esvaziou os compartimentos de água benta na entradas das igrejas e está a distribuir hóstias nas mãos dos fiéis, e não nas bocas.
 

 

Os médicos esperam determinar em breve a composição do vírus, mas até ao momento pouco se sabe. Leung disse à Reuters que alguns dos piores casos em Hong Kong foram tratados com sucesso através do uso de anticorpos retirados de pacientes recuperados.
 

 

A presença de anticorpos significa que os pacientes recuperados provavelmente desenvolvem certo nível de imunidade. Mas alguns especialistas não rejeitam a possibilidade de novas infecções nas pessoas recuperadas.
 

 

A OMS já registrou casos na Alemanha, Suíça, Estados Unidos, Reino Unido, França, Irlanda, Itália e Taiwan, além de Hong Kong, Singapura e Canadá.
 

 

O governo de Hong Kong anunciou entretanto que vai transferir para campos de isolamento mais de 200 moradores de um edifício que foi afectado pelo vírus de pneumonia e que já matou 63 pessoas em todo o mundo.
 

 

O vice-director da Secretaria de Saúde, Leung Pak-yin, disse em conferência de imprensa que a medida permitirá às autoridades investigarem a causa da difusão das infecções no prédio na região de Kowloon e protegerá os moradores. Segundo ele, os moradores serão transferidos ainda hoje. Das 63 pessoas que já morreram da doença, 16 foram em Hong Kong.
 

 

Muitas das quase 700 pessoas infectadas no território moram no próprio prédio ou na vizinhança, elevando os receios de que o vírus possa ser transmitido pelo ar e a um ritmo mais acelerado do que se imaginava.
 

 

Prédio suspeito
 

 

Armados com kits de amostras e vestidos com roupas brancas de laboratório, luvas, máscaras e capuzes, os investigadores vasculharam o complexo de apartamentos e lojas de Amoy Gardens, onde surgiram 30 por cento dos casos em Hong Kong.
 

 

A urgência da pesquisa no Amoy Gardens deve-se à necessidade de determinar se o vírus está a ser disseminado pelo ar. Como ponto de partida, os médicos achavam que a doença era transmitida apenas por contacto próximo, como tosse ou fluídos dos pacientes.
 

 

Mas, os números deixam muitas dúvidas. Mais de 110 pessoas de um único bloco do condomínio desenvolveram a doença, e mais de 200 podem estar contaminadas. «Se tiver relação com água, esgoto, ou sistemas de ar pode-se esperar mais vítimas», disse à Reuters Leung Ping-chung, professor do Hospital Prince of Wales, onde foram registados os primeiros casos em meados de Março.
 

 

É que o vírus foi encontrado nas fezes dos pacientes. E, por isso, os especialistas acreditam que uma das possíveis causas da infecção pode ser a falha no cano de esgoto do Amoy Gardens, que espalha pequenas nuvens de dejectos na direcção do bloco mais atingido.
 

 

O governo de Hong Kong colocou ontem os moradores do bloco sob quarentena nos eus apartamentos, mas centenas já saíram, e alguns deles são portadores da doença.
 

 

Entretanto, uma porta-voz do governo disse que as autoridades já estão a procurar as pessoas que fugiram da quarentena. «Estamos a tentar entrar em contacto com eles via telefone. Fizemos propagandas na TV a pedir que entrem em contacto», disse.
 

 

Também no Canadá, que tem o maior número de casos fora da Ásia, disse que o vírus ficou restrito a equipas médicas e outras pessoas que fizeram contacto próximo com vítimas vindas de Hong Kong.
 

 

«O risco para a população geral é extremamente baixo», disse Sheela Basrur, autoridade médica de Toronto, em conferência de imprensa.
 

 

O Canadá registrou 31 novos casos ontem. Mas a China, identificada pelas autoridades de saúde como o local de origem da doença, ainda não relatou os números completos, conforme pedido da Organização Mundial de Saúde (OMS).
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

Com agências internacionais
 

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