Epidemia em Angola continua a aumentar

Familiares de infectados não cooperam com as entidades de saúde

12 abril 2005
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A epidemia de febre hemorrágica é já considerada a mais fatal a nível mundial. No entanto, travar a doença ainda está longe de acontecer. As famílias angolanas recusam-se a levar os parentes infectados ao hospital, de acordo com funcionários da área de saúde no país, citados pela BBC.
 

 

A epidemia de febre hemorrágica em Angola completa hoje seis meses desde que foi registado o primeiro caso desta doença provocada pelo vírus de Marburg, e é já a pior a nível mundial, tendo provocado mais de duas centenas de angolanos. Mas continuam os entraves para travar a propagação da doença. «As pessoas não querem colocar os familiares em alas de quarentena, sabendo que a maioria deles não sobreviverá», disse à BBC Monica Castellanau, da organização assistencial Médicos Sem Fronteiras em Uíge. Segundo os funcionários, este comportamento pode aumentar o risco de propagação do vírus.
 

 

Desde Outubro, cerca de 203 pessoas morreram vítimas da doença, inclusive 14 pessoas que trabalhavam na área da saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
 

 

A organização disse ainda ter iniciado uma campanha de consciencialização pública sobre a doença na região mais afectada do país, a província de Uíge. A rádio e televisão tem vindo a divulgar informações e apelos para travar a epidemia e um grupo de músicos está a compor uma canção sobre a doença. O fundo da ONU para a infância, Unicef, disse ter pediu aos anciãos de tribos no país para ajudarem na campanha, de modo a impedir a hostilidade contra o pessoal médico.
 

 

Na semana passada, a OMS foi forçada a suspender as suas operações temporariamente no Uíge, a região mais afectada pela doença, depois de vários habitantes da área terem atacado os seus veículos. Os moradores temiam que os funcionários da área da saúde propagassem o vírus Marburg.
 

 

A febre hemorrágica causada pelo vírus Marburg é semelhante ao vírus Ebola, mas os especialistas das Nações Unidas afirmam que parece ter um maior risco de mortalidade. Países vizinhos, tais como a República Democrática do Congo e a África do Sul, tomaram medidas preventivas para impedir que o vírus atravesse as fronteiras e ameace as populações.
 

 

O primeiro caso de febre hemorrágica provocada pelo vírus de Marburg em Angola ocorreu a 13 de Outubro de 2004, mas, nessa altura, ainda ninguém adivinhava as dimensões que iria atingir, sendo já considerada a maior epidemia desta doença alguma vez registada no mundo. O facto dos sintomas iniciais serem muito parecidos com os da malária, doença muito frequente em Angola, fez com que os profissionais de saúde não suspeitassem da gravidade do problema nos primeiros meses.
 

 

A doença de Marburg, que tem como principal vector o macaco verde, é uma infecção viral, do grupo de radovírus, da mesma família do Ébola, que se manifesta clinicamente por uma síndrome febril hemorrágica, apresentando como primeiros sintomas dores de cabeça e musculares, febre alta, indisposição, vómitos, diarreia e náuseas. O contágio é feito por contacto directo com fluidos corporais, como sangue, saliva ou sémen, de indivíduos infectados.
 

 

Até ao momento, não se conhece nenhum tratamento eficaz contra a febre de Marburg, o que significa que o doente apenas recebe cuidados paliativos e, estando em isolamento, evita o contágio. O primeiro surto da doença registado ocorreu nos anos 1960, quando investigadores que trabalhavam na cidade alemã de Marburg contraíram a doença de macacos importados da África.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

Com agências
 

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