Enzimas dos fluidos combatem bactérias multirresistentes

Estudo publicado no “Physical Biology”

07 outubro 2010
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Para combater o crescente número de bactérias multiresistentes aos antibióticos, investigadores americanos juntaram-se em busca de terapias alternativas e desenvolveram um novo método capaz de identificar proteínas que poderão ser utilizadas no combate a estas bactérias, revela um estudo publicado no “Physical Biology”.

 

Em 1923, cinco anos antes da descoberta da penicilina, Alexander Fleming descobriu que as enzimas líticas, proteínas presentes em vírus, bactérias, mas também em fluidos orgânicos como as lágrimas, saliva e muco, eram capazes de matar bactérias.

 

Contudo, devido ao sucesso dos antibióticos, esta descoberta permaneceu adormecida. Mas com o aumento do número de bactérias multiresistente aos antibióticos, como é o caso do Staphylococcus aureus resistente à meticilina, estas proteínas começaram a ser alvo de estudo por parte da comunidade científica. Uma das vantagens do uso de enzimas líticas é que, ao contrário dos antibióticos, a maioria destas consegue destruir uma gama restrita de bactérias, o que permite aos investigadores direccionar o tratamento para as bactérias multirresistentes, deixando as não patogénicas intactas.

 

Neste estudo, Joshua Weitz e Gabriel Mitchell do Georgia Institute of Technology, em colaboração com Daniel Nelson da University of Maryland, propuseram-se identificar quais as enzimas líticas que tinham capacidade de matar as bactérias.

 

Os investigadores foram capazes de determinar, a uma escala microscópica, a taxa a que as enzimas líticas conseguiam destruir a parede celular das bactérias originando o rebentamento das células, processo denominado por ʺlise celularʺ.

 

Através da utilização de ensaios de medição de turbidez numa suspensão bacteriana, os investigadores foram capazes de prever, a nível celular, o processo responsável pela morte das bactérias. De forma a analisar correctamente os resultados, os autores do estudo recorreram a uma teoria matemática que permitiu, pela primeira vez, quantificar a capacidade das enzimas matarem as bactérias.

 

Foi também possível estimar de que forma as bactérias geneticamente idênticas diferiam na susceptibilidade a diferentes enzimas líticas.

 

Em comunicado de imprensa, os investigadores revelaram que acreditam ter dado o primeiro passo para permitir identificar mais enzimas, escolher aquelas com a melhor actividade e modificá-las para apresentar uma actividade lítica ainda maior, de modo a desenvolver um tratamento eficaz contra uma ampla gama de bactérias resistentes aos antibióticos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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