Enzima estimula a regeneração dos nervos

Um verdadeiro tratamento para os tetra e paraplégicos poderá estar para breve

19 abril 2001
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O diagnóstico de uma lesão na medula espinal, acarreta uma disfunção, muitas vezes permanente, de um ou vários segmentos corporais. No caso de uma secção completa, a esperança dos pacientes em poderem vir algum dia a mover as pernas não passava de um sonho.
 

 

Mas, cientistas em todo o mundo tentam há dezenas de anos encontrar um meio para que os nervos da medula espinal se regenerem de forma a restituir a função dos órgãos enervados pelos nervos seccionados. Espera-se que dentro de 5 a 10 anos já exista uma terapia para estes pacientes.
 

 

O investigador James Fawcett da universidade de Cambridge (Reino Unido) explica que o motivo pelo qual os nervos seccionados não se regeneram é porque perdem a capacidade de comunicar com outros neurónios. Uma das razões apontadas para este facto é a formação de um tecido cicatricial junto ao nervo lesado. Este tecido produz certas substâncias que impedem a formação de axónios (prolongamentos dos neurónios).
 

 

A equipa de cientistas liderada pelo Dr. Fawcett descobriu que uma enzima bacteriana - a condroitinase – impede esse bloqueio e permite a regeneração das células nervosas. Em culturas de neurónios a eficácia desta enzima ficou claramente demonstrada. Em experiências posteriores usaram-se ratinhos paraplégicos nos quais se injectou na medula espinal a mesma enzima. Surpreendentemente os ratinhos recuperaram alguma da mobilidade dos membros inferiores. A partir desta experiência surgem novas questões e novas hipóteses para o tratamento de uma variedade de afecções do sistema nervoso central, incluindo os AVC´s e a tetra e paraplégia. Segundo o Dr. Fawcett, para uma restituição integral da função neuronal, será necessário recorrer a vários métodos terapêuticos simultaneamente.
 

 

Investigadores da Universidade de Washington (St. Louis, EUA) também conseguiram devolver alguma mobilidade a ratinhos paraplégicos. Mas o tratamento foi substancialmente diferente, pois aqui usaram-se células pluripotenciais (Stem Cells) obtidas a partir de embriões de ratinhos, e que foram injectadas na medula espinal junto ao local da secção nervosa. 5 semanas após esta intervenção as células “Stem” tinham-se diferenciado em neurónios que constituíam uma espécie de “ponte”, ligando as superfícies seccionadas da espinal medula.
 

 

Também na Universidade “Johns Hopkins” em Baltimore (EUA) experiências envolvendo células pluripotenciais e ratos paraplégicos, revelaram resultados idênticos.
 

 

Na Universidade de Yale (EUA), usaram–se porcos paraplégicos nos quais se realizou um auto-transplante de células nervosas da mucosa do nariz para o local da lesão na espinal medula. Os neurónios transplantados também permitiram uma conexão entre as duas superfícies nervosas seccionadas.
 

 

Investigadores alemães da Universidade de Magdeburg usaram uma metodologia diferente para a cura de ratinhos com uma secção medular completa. Transplantaram tecido muscular (que tinha sido previamente aquecido e arrefecido de forma a alterar a sua estrutura) para junto da lesão neuronal. Este “tecido” permitiu um certo grau de regeneração nervosa e os ratinhos ganharam novamente alguma mobilidade nos membros afectados.
 

 

Fonte: Die Welt
 

 

Adaptado por:
 

David Ferreira
 

MNI - Médicos na Internet

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