Enxaquecas podem afetar estrutura cerebral permanentemente

Estudo publicado na “Neurology”

02 setembro 2013
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Um estudo conduzido por investigadores dinamarqueses indicou que as enxaquecas podem alterar a estrutura cerebral de forma permanente e aumentar o risco de lesões cerebrais.

 

“A enxaqueca é tipicamente considerada como sendo um transtorno benigno e sem consequências a longo prazo para o cérebro”, afirma Messoud Ashina, da Universidade de Copenhaga na Dinamarca. A equipa apurou que a enxaqueca aumenta o risco de lesões cerebrais e provoca alterações na substância branca e no volume cerebral, em comparação com quem não sofre desta doença.

 

Para o estudo, a equipa de investigadores procedeu à análise de seis estudos populacionais e de 13 estudos clínicos para tentar perceber se existia uma associação entre as enxaquecas e lesões cerebrais, anormalidades silenciosas ou alterações no volume cerebral. Foram utilizadas imagens de ressonância magnética de pacientes com enxaqueca com aura e sem aura. A enxaqueca com aura, caracteriza-se pela presença de sintomas, tais como alterações visuais ou formigueiro, antes da enxaqueca se instalar.

 

Os resultados revelaram que, em comparação com quem não sofria de enxaquecas, as pessoas com enxaqueca demonstravam um aumento de lesões na substância branca,de 68%  e 34%, conforme se tratasse de enxaqueca com ou sem aura, respetivamente.

 

O risco de anomalias indicativas de interrupção do fluxo sanguíneo para o cérebro, como necrose miocárdica, tinha aumentado em 44% nas pessoas com enxaqueca com aura em comparação com as que tinham enxaquecas comuns.

 

Finalmente, a equipa apercebeu-se que as alterações do volume cerebral são mais comuns em pessoas com enxaqueca com aura e comum do que nos indivíduos que não padecem da doença.

 

A enxaqueca afeta cerca de 10 a 15% da população geral e pode causar incómodo a nível pessoal, profissional e social. Esta doença é considerada como sendo uma das 20 enfermidades clínicas mais incapacitantes. Sendo uma doença tão comum, os investigadores consideram importante perceber os efeitos de longo-termo da enxaqueca sobre o cérebro.

 

“Esperamos que com estudos adicionais possamos esclarecer a associação das trocas da estrutura do cérebro para atacar a frequência e a duração da doença. Queremos também saber a forma como essas lesões poderão influenciar a função cerebral”, conclui Messoud Ashina.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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