Enxaquecas: dois novos fármaco mostram-se promissores

Estudos apresentados no encontro da American Academy of Neurology

24 abril 2014
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Dois novos fármacos experimentais poderão ajudar a impedir as enxaquecas nos indivíduos que sofrem múltiplos episódios mensais, dão conta dois estudos apresentados na reunião anual da American Academy of Neurology.
 

Estes dois estudos foram os primeiros a utilizar anticorpos monoclonais na prevenção das enxaquecas, sendo os dois fármacos direcionados contra um alvo relativamente novo, o CGRP (do inglês calcitonin gene-related peptide). Estudos anteriores já tinham sugerido que o CGRP poderia desempenhar um papel importante na enxaqueca, mas até à data ainda não tinham sido desenvolvidos fármacos contra esta proteína.
 

Um dos estudos envolveu a participação de 163 indivíduos que sofriam de enxaqueca entre cinco a 14 dias por mês e aos quais foi administrado um placebo ou uma dose única  de um fármaco, o ALD403. Os participantes deste ensaio clínico em fase II foram acompanhados ao longo de 24 semanas.  
 

Os investigadores verificaram que os indivíduos que foram tratados com ALD403 tiveram, em média, menos 5,6 dias de enxaquecas por mês (uma diminuição de 66%), comparativamente com 4,6 dias (uma diminuição de 52%) do grupo que recebeu o placebo. Foi também verificado que 16% dos indivíduos que foram submetidos ao tratamento com o fármaco não tiveram nenhuma enxaqueca passadas as 12 primeiras semanas do estudo, enquanto nenhum dos participantes do grupo de controlo experimentou ausência de enxaqueca no mesmo período. Relativamente aos efeitos secundários, não foram detetadas diferenças entre os dois grupos.
 

No segundo estudo, os investigadores contaram com a participação de 217 indivíduos que sofriam de enxaqueca entre quatro a 14 dias por mês. Aos pacientes foi administrado, subcutaneamente, duas doses semanais de um fármaco denominado por LY2951742 ou um placebo, ao longo de 12 semanas.
 

O estudo apurou que os indivíduos que foram tratados com o LY2951742 tiveram, em média, menos 4,2 dias de enxaquecas por mês (uma diminuição de 63%), comparativamente com 3 dias (uma diminuição de 42%) do grupo que recebeu o placebo. Os que foram tratados com o fármaco tendiam a ter mais efeitos secundários, nomeadamente dor no local da injeção, infeções do trato respiratório superior e dor abdominal. No entanto, o fármaco foi considerado seguro e geralmente bem tolerado.
 

“Estes resultados poderão potencialmente representar uma nova era no tratamento preventivo da enxaqueca”, referiu, em comunicado de imprensa, um investigador da Universidade de Califórnia e também um dos autores dos dois estudos, Peter Goadsby.
 

“A enxaqueca tem ainda poucas opções de tratamento eficazes, bem toleradas e capazes de impedir a ocorrência de episódios. Há assim uma grande necessidade de tratamento para aquela que é considerada a terceira condição mais comum no mundo e a sétima mais incapacitante”, conclui, um outro autor dos dois estudos, David Dodick.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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