Enxaqueca episódica: identificado novo biomarcador

Estudo publicado “Neurology”

14 setembro 2015
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Investigadores americanos descobriram um novo biomarcador para a enxaqueca episódica. O estudo publicado na revista “Neurology” poderá ter assim implicações no diagnóstico e tratamento desta condição.
 
"Apesar de serem necessários mais estudos para confirmar estes resultados iniciais, a possibilidade de descobrir um novo biomarcador para a enxaqueca é emocionante", disse, um dos autores do estudo, B. Lee Peterlin.
 
A enxaqueca episódica é uma condição em que os pacientes têm menos de 15 dias de enxaqueca ao longo do mês. Comparativamente, os indivíduos com enxaqueca crónica têm 15 ou mais dias de dor de cabeça por mês.
 
A enxaqueca pode ter um impacto significativo na saúde pública. As pessoas que têm enxaquecas são mais propensas a depressão, ansiedade, distúrbios do sono e fadiga, comparativamente com os seus pares. Atualmente não existe cura para a enxaqueca e a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que esta é uma das 20 doenças mais incapacitantes em todo o mundo.
 
Na opinião dos investigadores da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, apesar de ainda não se compreender completamente os mecanismos responsáveis pela enxaqueca, conhecer mais aprofundadamente as suas causas pode ajudar os cientistas a testar novas intervenções para tratar ou prevenir esta condição debilitante.
 
Para o estudo, os investigadores submeteram 52 mulheres diagnosticadas com enxaqueca episódica, com uma média de 5,6 enxaquecas por mês, a exames neurológicos. O grupo de controlo incluiu 36 mulheres saudáveis.
 
O Índice de Massa Corporal (IMC) de cada participante foi avaliado, tendo também sido retiradas amostras de sangue. Estas amostras foram analisadas para um grupo específico de lípidos, as ceramidas, que ajudam a regular a inflamação no cérebro.  
 
O estudo apurou que as mulheres com enxaqueca episódica tinham níveis mais baixos de ceramidas do que aquelas que não sofriam deste tipo de dor de cabeça. Em média, as participantes com enxaquecas episódicas tinham cerca de 6.000 ng/ml de ceramidas totais no sangue, comparativamente com os 10.500 ng/ml de ceramidas totais encontrados no sangue das mulheres incluídas no grupo de controlo.
 
À medida que os níveis totais de ceramida aumentavam, o risco total de desenvolver uma enxaqueca diminuía. Os investigadores descobriram ainda dois outros lípidos associados a um risco aumentado de enxaqueca que pertencem a um tipo de lípidos conhecidos como esfingomielina.
 
De forma a tentar confirmar os resultados, os investigadores analisaram o sangue de 14 participantes para estes lipídios. Através desta análise foi possível prever com eficácia quais as amostras que pertenciam às participantes com enxaqueca episódica e as que pertenciam às participantes sem enxaqueca.
 
"Este estudo é um contributo importante para a compreensão da enxaqueca e pode ter efeitos relevantes no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, caso os resultados sejam replicados noutros estudos", referiu Karl Ekbom, do Instituto Karolinska, na Suécia, num editorial que acompanhou o estudo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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