Enxaqueca associada a risco de doença de Parkinson

Estudo publicado na revista “Neurology”

22 setembro 2014
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Os indivíduos de meia-idade que sofrem de enxaqueca apresentam uma suscetibilidade aumentada de desenvolver doença de Parkinson, ou outras doenças do movimento, mais tarde na vida, dá conta um estudo publicado na revista “Neurology”.
 

“A enxaqueca é o distúrbio cerebral mais comum entre os homens e as mulheres. Estudos anteriores já tinham associado esta condição à doença cerebrovascular e cardíaca. Esta nova associação dá mais enfase à necessidade de compreender, prevenir e tratar esta condição”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Ann I. Scher.
 

Para o estudo, os investigadores da Uniformed Services University, nos EUA, contaram com a participação de 5.620 indivíduos com idades compreendidas entre os 33 e os 65 anos, que foram acompanhados ao longo de 25 anos. No início do estudo, um total de 3.924 indivíduos não tinham dores de cabeça, 1.028 tinham dores de cabeça sem sintomas de enxaqueca, 238 tinham enxaqueca sem aura e 430 tinham enxaqueca com aura. Posteriormente, os investigadores avaliaram se os participantes apresentavam sintomas de doença de Parkinson, se tinham sido diagnosticados com a doença,ou se tinham sintomas da síndrome das pernas inquietas.
 

O estudo apurou que, comparativamente com os indivíduos sem dores de cabeça, aqueles com enxaqueca com aura apresentavam um risco duas vezes maior de serem diagnosticados com doença de Parkinson. Um total de 2,4% dos indivíduos com enxaqueca com aura tinha a doença, comparativamente com os 1,1% daqueles sem dores de cabeça.
 

Os investigadores constataram que os indivíduos com enxaqueca com aura apresentavam um risco 3,6 vezes maior de terem pelo menos quatro dos seis sintomas associados à doença, enquanto os indivíduos com enxaqueca sem aura tinham um risco 2,3 maior de apresentarem estes sintomas. No total 19,7% dos que tinham enxaqueca com aura apresentavam sintomas, contra os 12,5% daqueles com enxaqueca sem aura e os 7,5% sem dores de cabeça. As mulheres com enxaqueca com aura eram mais suscetíveis de terem antecedentes familiares de doença de Parkinson do que aquelas sem dores de cabeça.
 

“Uma disfunção no mensageiro cerebral, a dopamina, é comum tanto na doença de Parkinson como na síndrome das pernas inquietas e tem sido apontado como uma possível causa da enxaqueca, já há alguns anos. Os sintomas da enxaqueca como bocejos excessivos, náuseas e vómitos têm sido associados com a estimulação do recetor da dopamina”, referiu a investigadora.
 

Os investigadores concluem que são necessários mais estudos para analisar esta possível associação através de estudos genéticos. Ann I. Scher refere que apesar de a enxaqueca estar associada a um aumento do risco de doença de Parkinson, este é um risco baixo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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