Enxaqueca associada a alterações estruturais do cérebro

Estudo publicado na revista “PLOS ONE”

31 julho 2013
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As variações na anatomia das artérias envolvidas na irrigação do cérebro podem conduzir a assimetrias no fluxo sanguíneo cerebral e contribuir para o desenvolvimento de enxaquecas, sugere um estudo publicado na revista “PLOS ONE”.
 
O fornecimento de sangue para o cérebro é protegido por uma série de ligações entre as principais artérias, o chamado de "círculo de Willis”. Os indivíduos com enxaqueca, especialmente com aura, estão mais propensos a não apresentar determinados componentes deste círculo.
 
Em tempos os especialistas acreditavam que a enxaqueca era causada pela dilação dos vasos sanguíneos no cérebro. Recentemente este problema tem sido associado a distúrbios nos sinais neuronais.
 
Neste estudo, os investigadores da University of Pennsylvania, nos EUA, sugerem que os vasos sanguíneos desempenham um papel diferente daquele que lhes era anteriormente atribuído. “Os indivíduos com enxaqueca apresentam diferenças estruturais nos vasos sanguíneos, isto é algo com que as pessoas nascem. Estas diferenças parecem estar associadas a alterações no fluxo sanguíneo no cérebro e é possível que estas alterações despoletem as enxaquecas, que poderão explicar por que motivo algumas pessoas notam que a desidratação aumenta as dores de cabeça”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Brett Cucchiara.
 
Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 170 indivíduos, os quais foram divididos em três grupos distintos: um que tinha enxaquecas com aura, outro grupo com enxaquecas sem aura e o terceiro grupo incluía indivíduos que não tinham este tipo de problema. 
 
O estudo apurou que um círculo de Willis incompleto era mais comum nos indivíduos com enxaqueca, comparativamente com aquelas que integravam o grupo de controlo. Através da realização de alguns exames de ressonância magnética, os investigadores constataram que os distúrbios no círculo de Willis e no fluxo sanguíneo observados eram mais proeminentes na parte posterior do cérebro, onde o córtex visual está localizado. Estes resultados “podem ajudar a explicar por que motivo a enxaqueca com aura é caracterizada por sintomas visuais, como imagens distorcidas, manchas ou linhas onduladas”, referiu um outro autor do estudo, John Detre.
 
Tanto a enxaqueca como um círculo de Willis incompleto são comuns, e a associação observada é só mais um de vários fatores que contribuem para a enxaqueca. Os investigadores sugerem que a realização de testes funcionais e de integridade ao círculo de Willis poderá ajudar a identificar este fator e a adotar estratégias de tratamento mais personalizadas. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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