Envolvimento de pais beneficia tratamento de jovens com bulimia

Estudo publicado no “Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry”

06 outubro 2015
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O envolvimento dos pais no tratamento de adolescentes com bulimia nervosa é mais eficaz do que o tratamento individual do paciente, revela um estudo levado a cabo pela Universidade da Califórnia – São Francisco e divulgado na edição eletrónica da publicação científica “Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry”.
 
“Este estudo demonstra definitivamente que o envolvimento parental é imperativo para o sucesso do tratamento de adolescentes com bulimia nervosa. Isto vai contra a formação que os médicos recebem em psiquiatria que ensina que os pais são os culpados da bulimia e, portanto, devem ser excluídos do tratamento”, afirma o líder do estudo, Daniel Le Grange, em comunicado divulgado pela universidade.
 
A bulimia é caracterizada por episódios recorrentes de ingestão descontrolada de alimentos, denominados episódios de compulsão alimentar. Estes episódios são seguidos de comportamentos compensatórios que têm como objetivo evitar o aumento de peso, tais como a autoindução do vómito, o abuso de laxantes ou diuréticos, o jejum ou a prática intensa de exercício físico.
 
Dada a natureza oculta desta doença e o facto de muitos jovens com bulimia permanecerem com peso saudável, muitos doentes vivem com este problema durante vários anos até os pais conseguirem reconhecer sinais do mesmo.
 
O estudo em causa comparou os resultados de dois tipos de tratamento para a bulimia: terapia cognitivo-comportamental (TCC) e terapia familiar (TF). A TCC é centrada no paciente individual e é baseada no aprofundamento do conhecimento interior dos pacientes e dos pensamentos irracionais que conduzem à compulsão alimentar e à purgação. O reconhecimento e confronto com esses pensamentos irracionais irá, dessa forma, permitir a alteração do comportamento e a cura. A TF é realizada em conjunto com os pais para que estes consigam compreender a gravidade da doença e aprendam a acompanhar os seus filhos numa base diária para garantir a sua segurança e o apoio para adotarem hábitos saudáveis.
 
Os cientistas liderados por Le Grange contaram com a participação de 130 adolescentes, com idades compreendidas entre os 12 e 18 anos, e com bulimia nervosa. Os participantes receberam aleatoriamente TCC e TF, num total de 18 consultas do longo de seis meses, e consultas de acompanhamento aos seis e 12 meses.
 
Os jovens que participaram na TF obtiveram taxa de abstinência de compulsão alimentar e purgação mais elevada do que os pacientes submetidos a TCC. No final do tratamento, a taxa de abstenção da compulsão alimentar e purgação foi de 39% nos pacientes sujeitos a TF e de 20% nos pacientes submetidos a TCC. No final do acompanhamento aos seis meses, 44% dos pacientes da TF abstinham-se de consumir alimentos compulsivamente e de adotar comportamentos compensatórios, o que compara com 25% dos pacientes em TCC. Ao fim de 12 meses de acompanhamento, a taxa de abstinência dos participantes em TF situava-se nos 49%, enquanto no caso daqueles que participaram na TCC foi de 32%.
 
Segundo os autores, os achados deste estudo foram bastante claros ao indicar que a TF é a melhor opção terapêutica para a bulimia nervosa, visto que não só apresenta melhores resultados e mais rapidamente, como ainda possui um impacto mais prolongado. Contudo, acrescentam os cientistas, a TCC continua ainda assim a ser uma alternativa útil nos casos em que não é possível realizar a TF.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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