Envelhecimento: primeira terapia genética testada com sucesso

Estudo publicado na “EMBO Molecular Medicine”

17 maio 2012
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Investigadores espanhóis testaram com sucesso a primeira terapia genética contra o envelhecimento, dá conta um estudo publicado na “EMBO Molecular Medicine”.

 

Vários estudos têm demonstrado que é possível prolongar o tempo médio de vida em indivíduos de diferentes espécies, incluindo os mamíferos, através da modificação de genes específicos. No entanto, até à data, isto significava alterar os genes permanentemente, desde o estado embrionário, o que é impraticável nos humanos.

 

Mas agora os investigadores do Centro Nacional de Investigaciones Oncológicas, em Espanha, conseguiram demonstrar que é possível aumentar a vida de ratinhos através de um único tratamento, na idade adulta, o qual tem por alvo os genes dos animais. A utilização da terapia genética, uma estratégia nunca antes utilizada para combater o envelhecimento, mostrou ser um tratamento seguro e eficaz para os ratinhos.

 

Esta terapia consistiu na indução da expressão da telomerase, uma enzima que repara as extremidades dos cromossomas, os telómeros. Cada vez que uma célula se divide os telómeros encurtam-se, até ficarem tão curtos que perdem a funcionalidade. Como resultado, a célula deixa de se dividir e envelhece ou morre. O papel da telomerase é prevenir o encurtamento dos telómeros, o que se traduz no atraso do relógio biológico das células e consequentemente do organismo. Contudo, na maioria das células, o gene que codifica a telomerase só está ativo antes do nascimento, nas células embrionárias, com exceção das células estaminais adultas e tumorais que se dividem indefinidamente e são imortais. Vários estudos têm demonstrado que a expressão da telomerase é essencial para a imortalidade das células tumorais, que é um dos obstáculos da aplicação da terapia genética com base na telomerase.

 

Contudo, os investigadores liderados por Maria A. Blasco constataram que a utilização da terapia genética em ratinhos adultos, com um e dois anos de idade, provocou um efeito “rejuvenescedor”. Foi observado que os animais de um ano de idade que foram submetidos ao tratamento viveram, em média, mais 24% do tempo, enquanto que os que foram tratados aos dois anos de idade viveram, em média, mais 13% do tempo.

 

Adicionalmente o estudo demonstrou que o tratamento melhorou a saúde dos animais, atrasando o aparecimento de doenças associadas à idade como a osteoporose e resistência à insulina, e melhorou os indicadores do envelhecimento, nomeadamente da coordenação neuromuscular.

 

O estudo “demonstrou que é possível desenvolver uma terapia genética anti-envelhecimento baseada na telomerase sem aumentar a incidência do cancro”, revelaram, em comunicado de imprensa, os autores do estudo. “Os organismos adultos acumulam danos no ADN devido ao encurtamento dos telómeros, este estudo mostrou que a terapia genética baseada na produção da telomerase pode reparar ou atrasar este tipo de danos”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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