Envelhecimento: por que razão reparação muscular é mais lenta?

Estudo publicado no “Nature Medicine”

29 julho 2016
  |  Partilhar:

À medida que envelhecemos, perdemos capacidades a nível de função e regeneração musculoesquelética, razão pela qual as pessoas idosas têm maior dificuldade em recuperar de lesões ou cirurgias. Cientistas norte-americanos demonstraram que uma proteína denominada integrina β1 desempenha um papel fundamental na regeneração muscular. Os achados foram divulgados na “Nature Medicine”.
 

As células estaminais musculares são células especializadas que se encontram adormecidas no tecido muscular, junto às fibras musculares (razão pela qual foram inicialmente designadas células satélite), e são uma das fontes primárias de regeneração muscular após uma lesão. Quando as fibras musculares são danificadas, as células estaminais musculares entram em ação, dando origem a novas fibras e restaurando a função muscular. Algumas destas células retornam de seguida ao seu estado dormente para permitir a regeneração no futuro.
 

Tendo em conta que a regeneração muscular é um problema de saúde importante na população idosa, os cientistas consideram que terapêuticas que tenham por alvo as células estaminais musculares poderão melhorar significativamente a regeneração muscular nestes indivíduos.
 

Michelle Rozo, do Instituto para a Ciência de Carnegie, nos EUA, e a sua equipa, descobriram que a ação da proteína integrina β1 é fundamental na manutenção do ciclo de hibernação, ativação, proliferação e regresso a hibernação das células estaminais musculares.
 

Os cientistas teorizaram que defeitos na integrina β1 poderiam contribuir para fenómenos como o envelhecimento, que se encontra associado a uma redução da função e da quantidade das células estaminais musculares. Isto significa que a reparação de uma lesão (como, por exemplo, uma cirurgia) é muito mais lenta em indivíduos idosos, o que pode resultar em períodos de imobilidade prolongados e consequente perda de massa muscular.
 

O estudo revelou que a função da integrina β1 se encontra diminuída em células estaminais musculares envelhecidas. Quando os cientistas ativaram de forma artificial a integrina em ratinhos com músculos envelhecidos, notaram que a capacidade regenerativa muscular destes animais foi restaurada para níveis semelhantes aos verificados em ratinhos mais novos. Além disso, quando o mesmo foi feito em animais com distrofia muscular, foi possível observar igualmente melhorias em termos de regeneração, força e função dos músculos.
 

Juntamente com outros cientistas de centros de investigação internacionais, os investigadores norte-americanos descobriram que os músculos envelhecidos possuem níveis muito mais reduzidos de uma outra proteína com a qual a integrina β1interage no ambiente externo dos músculos: a fibronectina.
 

Os cientistas revelam que eliminar a fibronectina de músculos jovens torna-os mais “envelhecidos”. Por outro lado, restaurar os níveis desta proteína promove a regeneração muscular. Como tal, os cientistas demonstraram uma forte ligação entre a integrina β1, a fibronectina e a regeneração das células estaminais musculares.
 

“No cômputo geral, os nossos resultados mostram que células estaminais musculares envelhecidas com atividade da integrina β1 comprometida e músculos envelhecidos com uma quantidade insuficiente de fibronectina estão na base do envelhecimento muscular”, explicou Chen-Ming Fan, uma das autoras do estudo, em comunicado da instituição. “Isto faz com que a integrina β1 e fibronectina sejam alvos terapêuticos muito promissores”, adiantou.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.