Envelhecimento: nova classe de fármacos muito promissora

Estudo publicado na revista “Aging Cell”

12 março 2015
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Uma equipa de investigadores conseguiu identificar uma nova classe de fármacos que se revelou muito eficaz na desaceleração do processo de envelhecimento humano.
 
Denominados “senolíticos”, os novos fármacos operaram melhorias drásticas na função cardíaca, reduziram os sintomas de fragilidade e prolongaram a longevidade saudável em ratinhos.
 
O estudo foi conduzido por investigadores do Instituto de Investigação The Scripps, da Mayo Clinic, e os resultados demonstraram que os senolíticos conseguem atuar sobre e matar as células envolvidas no processo de envelhecimento, as células senescentes, e prolongar a saúde dos pacientes de forma significativa, sem danificar as células vizinhas. 
 
As células senescentes deixam de se dividir à medida que envelhecemos. Este tipo de células acumula-se em vários tipos de tecido no organismo, segregando proteínas que danificam as células e tecidos saudáveis circundantes. Estas células aceleram o processo de envelhecimento e desempenham um papel fundamental no desenvolvimento de doenças relacionadas com a idade.
 
A equipa de investigadores, liderada por Paul Robbins e Laura Niedernhofer, procurou uma forma de exterminar as células senescentes sem danificar as células envolventes em tecido humano. À semelhança das células cancerígenas, as células senescentes possuem redes de sobrevivência que lhes permitem resistir à morte celular programada ou apoptose.
 
Para o efeito, a equipa procurou fármacos que incidissem sobre as células senescentes e induzissem a apoptose. Foram testados 46 fármacos em culturas de células senescentes humanas, dois dos quais se revelaram promissores: o dasatinib (nome comercial: Sprycel), um fármaco para o tratamento do cancro, e a quercetina, um suplemento anti-histamínico e anti-inflamatório. 
 
Usados em combinação, os dois fármacos induziram, efetivamente, a apoptose em células senescentes. 
 
A equipa observou que o efeito da combinação dos dois fármacos em ratinhos fez melhorar a função cardiovascular, aumentou a resistência no exercício físico, reduziu a osteoporose e fragilidade, tendo aumentado de forma drástica o período de vida saudável dos roedores. 
 
Uma só dose de senolíticos conseguiu produzir efeitos de antienvelhecimento: melhoria da função cardiovascular num período de cinco dias em ratinhos mais velhos, melhoria da resistência no exercício físico em ratinhos fragilizados após terem sido submetidos a radiação, cujos efeitos duraram pelo menos sete meses.
 
Adicionalmente, os senolíticos administrados de forma regular em ratinhos em processo de envelhecimento acelerado fizeram atrasar os sintomas relacionados com a idade, degeneração da coluna vertebral e osteoporose, tendo aumentado o período de vida com saúde dos roedores.
 
Paul Robbins considera este estudo como um “ primeiro grande passo” para o desenvolvimento de fármacos que prolonguem o período de vida saudável e ajam sobre as doenças relacionadas com a idade. “Quando os agentes senolíticos, como a combinação que identificámos, forem usados clinicamente, os resultados poderão ser transformadores”, comenta. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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