Envelhecimento: doenças podem ser travadas

Estudo publicado na “Nature”

14 novembro 2011
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A eliminação de células que se vão acumulando ao longo da idade pode evitar ou retardar o aparecimento de distúrbios relacionados com o envelhecimento, sugere um estudo publicado na “Nature”.
 

Há cinco décadas atrás, os cientistas descobriram que as células passam por um número limitado de divisões antes de pararem de se dividir. Nesse ponto, as células atingem um estado de limbo - chamado de senescência celular - onde nem morrem nem se continuam a multiplicar. Estas produzem factores que danificam as células adjacentes e causam a inflamação dos tecidos. Acredita-se que este destino alternativo das células seja o mecanismo que impede o crescimento celular e a disseminação do cancro. O sistema imunológico elimina, regularmente, estas células disfuncionais, mas com o tempo torna-se menos eficaz a levar a cabo esta tarefa.
 

Como resultado, as células senescentes acumulam-se com a idade. Assim, uma das questões associadas ao envelhecimento que ainda se mantém em aberto é saber se, e como, estas células causam doenças e distúrbios associados à idade. Uma das razões pela qual tem sido tão difícil responder a esta pergunta é que o número de células senescentes é limitado e apenas representa 10 a 15 % das células de um indivíduo idoso.
 

Neste estudo os investigadores da Mayo Clinic, nos EUA, modificaram geneticamente ratinhos para que estes expressassem nas suas células senescentes uma molécula, a caspase 8. Esta molécula, que só fica activada na presença de um fármaco, pertence a uma família de proteínas que está envolvida na apoptose ou morte celular.
 

O estudo revelou que quando os ratinhos eram expostos a este fármaco, a caspase 8 era activada, o que provoca danos nas membranas das células conduzindo, consequentemente, à destruição das células senescentes.
 

Os investigadores descobriram que a eliminação de células senescentes, ao longo da vida, atrasava o início das doenças associadas à idade, como a catarata, perda de massa muscular e fraqueza. Ainda mais relevante, foi o facto de se ter demonstrado que a remoção destas células abrandava a progressão de doenças associadas à idade que já haviam sido estabelecidas.
 

Estes resultados confirmam o papel das células senescentes no processo de envelhecimento e mostram que os químicos secretados por estas células contribuem para as disfunções dos tecidos e doença associados à idade.
 

O líder do estudo, Jan van Deursen, revela em comunicado enviado à imprensa que “intervenções terapêuticas que eliminem ou bloqueiem os efeitos destas células poderão ajudar a tornar-nos com mais vitalidade, saudáveis e também a manter-nos independentes por um período mais longo.”
 

James Kirkland, co-autor do tudo, acrescenta ainda que “se se atacar estas células e o que elas produzem, um dia poderá ser possível quebrar a ligação entre os mecanismos associados envelhecimento e a predisposição para doenças como a cardiovasculares, acidente vascular cerebral, cancro e demência.”

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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