Envelhecimento começa antes do nascimento

Estudo publicado no “The FASEB Journal”

07 março 2016
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O processo de envelhecimento tem início bem antes do nascimento. O estudo publicado no “The FASEB Journal” sugere que a toma de antioxidantes durante a gravidez pode abrandar o envelhecimento da descendência na idade adulta.
 
As extremidades de cada cromossoma, os telómeros, atuam de uma forma semelhante a um plástico colocado nas extremidades de cordões, impedindo que estes se desgastem. À medida que envelhecemos, os telómeros tornam-se mais curtos e, portanto, o comprimento pode ser utilizado como um indicador do envelhecimento.
 
No estudo, os investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, mediram o comprimento dos telómeros nos vasos sanguíneos de ratinhos adultos cujas mães tinham sido (ou não) alimentadas com antioxidantes durante a gravidez normal ou com complicações.
 
A complicação mais comum na gravidez é a redução da quantidade de oxigénio a que o recém-nascido está exposto, que pode ser causada por vários motivos, incluindo hábitos tabágicos ou pré-eclâmpsia. Para simular esta complicação, os investigadores colocaram um grupo de fêmeas grávidas num ambiente que continha 7% menos oxigénio do que o normal.
 
O estudo apurou que os ratinhos adultos cujas mães tinham sido expostas a menores níveis de oxigénio durante a gravidez tinham telómeros mais pequenos que os animas que nasceram de uma gravidez normal. Verificou-se também que estes ratinhos apresentavam problemas no revestimento interno dos vasos sanguíneos, o que significa que tinham envelhecido mais rapidamente e estavam mais predispostos a desenvolver doenças cardíacas do que o normal. No entanto, quando as mães grávidas deste grupo receberam antioxidantes, houve uma diminuição do risco dos descendentes desenvolverem doenças cardíacas.
 
Mesmo a descendência proveniente de gravidezes sem complicações, ou seja, quando o feto recebeu os níveis adequados de oxigénio, beneficiava dos antioxidantes maternos apresentando telómeros mais longos do que aqueles cujas mães não tinham recebido este tipo de suplementos durante a gravidez.
 
“O nosso estudo em ratinhos sugere que o relógio do envelhecimento é iniciado mesmo antes de nascermos (…). Os nossos genes interagem com fatores de risco ambientais, tais como tabagismo, obesidade e falta de exercício, que aumentam o risco de doença cardíaca. Contudo, demonstrámos que o ambiente a que estamos expostos no útero pode ser tanto ou mais importante na programação do risco de doença cardiovascular na idade adulta”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Dino Giussani.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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