Ensaios clínicos: Portugal é o menos atrativo da europa

Estudo da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica

23 março 2012
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Portugal é o país europeu "menos atrativo" para a realização de ensaios clínicos, dá conta um estudo da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma).

 

O estudo divulgado na apresentação da Plataforma Nacional de Ensaios Clínicos constatou que Portugal perdeu potencial de investigação face a países como a Bélgica, República Checa e Áustria.

 

De forma a quantificar potencial de investimento não utilizado por Portugal, um grupo de trabalho de investigação clínica da Apifarma realizou um estudo que contou com a participação de 16 empresas portuguesas, e envolveu 443 ensaios clínicos, que decorreram entre 2007 e 2011, tendo obtido resultados preliminares de 13 empresas.

 

O estudo contou com participação de 3680 doentes planeados e 2489 incluídos, tendo sido feito um investimento médio de 13,869 euros por paciente. Paula Martins de Jesus, da Apifarma, revelou que 14 milhões de euros não foram investidos em Portugal por falta de capacidade, o que representou uma perda de 33,4% do investimento planeado.

 

As áreas mais penalizadas foram a neurologia, com menos 3,6 milhões de euros do que o previsto, a oncologia (três milhões de euros) e a cardiologia (mais de dois milhões de euros).

 

Em relação às áreas terapêuticas, a hematologia é a que tem o custo médio por doente mais elevado (68.520 euros), com um investimento perdido de um milhão de euros, seguindo-se a oncologia com um custo de 31.733 euros por doente e um investimento perdido de três milhões de euros.

 

Paula Martins Jesus revelou à agência Lusa, que as razões para esta situação estão associadas às “lacunas de formação e de sensibilização” de administradores hospitalares, médicos, enfermeiros, farmacêuticos, entre outros, a ausência de enquadramento estratégico e de gestão desequilibrada dos recursos, nomeadamente a nível do serviço ou espaço dedicado às atividades de investigação, e falta de informação relativa ao investimento.

 

Defendeu ainda a necessidade de “não desperdiçar este investimento que, com a ajuda da tutela e a colaboração dos órgãos de gestão, pode e deve ser capitalizado”, através da dotação de infraestruturas e recursos dedicados à investigação, na promoção da educação sobre metodologias de investigação, na criação de centros de excelência e na promoção de parcerias de investigação.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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