Enjoo extremo durante a gravidez pode levar a distúrbios comportamentais nas crianças

Estudo publicado no “Journal of Developmental Origins of Health and Disease”

30 agosto 2011
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A hiperemese gravídica (HG) caracteriza-se por náusea e vómitos persistentes, por vezes intensos, que podem conduzir à hospitalização e até à interrupção da gravidez. Mas um novo estudo, publicado no “Journal of Developmental Origins of Health and Disease”, alerta para o facto de as mulheres não serem as únicas vítimas deste problema.

 

Um estudo conjunto da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e da Universidade do Sul da Califórnia, EUA, descobriu que as crianças cujas mães sofreram de HG foram 3,6 vezes mais propensas a sofrer de ansiedade, distúrbio bipolar e depressão na vida adulta do que os bebés cujas mães não sofreram dessa condição.

 

Estudos anteriores já tinham verificado que as crianças nascidas de mulheres que tiveram náuseas persistentes nos três primeiros meses da gravidez tinham mais problemas de atenção e de aprendizagem aos 12 anos. Outras investigações apontavam ainda que a má nutrição fetal, uma consequência frequente da HG, pode conduzir a uma fraca saúde quando adulto. "Apesar da hiperemese gravídica poder causar fome e desidratação na gravidez, nenhum estudo tinha determinado os seus efeitos a longo prazo nas crianças nascidas de mães com este problema", referiu, em comunicado, Marlena Fejzo, co-autora do estudo.

 

Análises anteriores também já tinham verificado que mulheres com histórico familiar da doença foram até 17 vezes mais propensas a sofrer do mesmo problema.

 

As descobertas deste estudo agora publicado foram baseadas em pesquisas de mulheres com HG, que relataram a história emocional e comportamental dos seus irmãos. Para o estudo, a equipa entrevistou 155 pessoas, 55 tinham sofrido com a condição da mãe e 95 não passaram por este problema. Houve um total de 87 irmãos do grupo exposto e 172 do grupo não exposto que serviu de controlo.

 

Os investigadores verificaram que 16% dos voluntários que foram expostos ao HG tinham depressão, contra 3% do grupo de controlo (aqueles que não nasceram de mães com HG); 8% do grupo exposto foram diagnosticados com perturbação bipolar, frente a 2% do grupo de controlo; e 7% dos expostos sofriam de ansiedade na vida adulta, comparados a 2% do controlo. "Ao todo, 38% dos casos do grupo exposto relataram distúrbio psicológico ou comportamental, em comparação a 15% do grupo de controlo", afirmaram os cientistas.

 

Estas taxas mais elevadas podem ser causadas pela desnutrição e desidratação prolongadas das mães durante o desenvolvimento do cérebro do feto. A ansiedade e o stress, comuns durante e após a HG, também poderiam desempenhar um papel importante nos problemas físicos e psicológicos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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