Enfermeiros trabalham demasiado depressa e sob pressão

Estudo da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra

04 novembro 2014
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Cinquenta e nove por cento dos enfermeiros “trabalha demasiado depressa e sob pressão, tentando fazer muito” durante a maior parte do tempo, revela um estudo da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra.
 

O estudo baseado em inquéritos a 926 profissionais com domicílio profissional hospitalar na área da Secção Regional do Centro da Ordem do Enfermeiros apurou que apenas 46% dos enfermeiros “nunca sacrifica a segurança do doente quando há sobrecarga de trabalho”.
 

“A cultura de segurança do doente apresenta-se como um fator crítico da qualidade dos cuidados de saúde hospitalares e a necessitar de melhoria”, disse à agência Lusa um dos autores do estudo, António Manuel Fernandes.
 

De acordo com os dados recolhidos pelo investigador, “a maioria das dimensões da cultura de segurança do doente, entendida como um modelo de comportamentos tendente a minimizar os danos nos pacientes que podem resultar da prestação de cuidados, apresenta debilidades”.
 

“As dotações de enfermeiros identificadas são medianamente comprometidas com a sua missão de segurança profissional e dos doentes, correndo um sério risco de não a garantirem, uma vez que revelam debilidades nos seus aspetos de cariz qualitativo e são deficitárias no provimento de horas de cuidados de enfermagem necessárias, registando-se um défice médio de 23%”.
 

Por outro lado, António Manuel Fernandes refere que “o compromisso do hospital com os enfermeiros e a enfermagem, a existir, é pouco sentido por estes profissionais”, que “tão pouco sentem que o seu esforço e perícia sejam adequadamente reconhecidos e recompensados”.
 

Uma exceção positiva nos fatores que levam à cultura de segurança do doente é a dimensão “cooperação/trabalho em equipa dentro das unidades/serviços”, que é encarada pelos enfermeiros como um aspeto forte.
 

“A cultura de segurança do doente identificada neste estudo é caracterizada pelo paradigma da culpabilização e punição” e também “pelo paradigma da ocultação do erro e do evento adverso”, refere o investigador.
 

Ou seja, os profissionais estão convictos de que, “quando notificados, são eles o centro da atenção e não o incidente/evento e preocupados que este seja registado no processo pessoal, podendo ser usado contra si”.
 

A investigação confirma que contextos clínicos “com dotações em enfermagem qualitativamente mais seguras - particularmente onde se promove equilíbrio de competências e supervisão de cuidados e, sobretudo, se fomenta um bom ambiente relacional entre profissionais clínicos, com estimulação da autonomia profissional - contribuem para a existência de níveis inferiores de riscos clínicos”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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