Enfermeiras suspensas por não terem agido de acordo com as boas práticas

Ordem aplica penas mínimas

29 setembro 2003
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Foram proibidas de trabalhar por um ano e por dois anos, respectivamente, as duas enfermeiras envolvidas na assistência a Carlos Mascarenhas, o jovem que morreu asfixiado no Hospital Egas Moniz, em Lisboa, em Agosto de 2002. A decisão da Ordem dos Enfermeiros (OE) fica muito aquém da suspensão máxima de cinco anos prevista nos estatutos e deixou «revoltada» a família da vítima.
 

 

A pena de suspensão mais pesada decretada pelo conselho jurisdicional na sexta-feira foi para Mercedes Romero. A enfermeira espanhola era a responsável pelos cuidados a Carlos Mascarenhas, que morreu pouco depois de ter sido operado a um quisto no pescoço. Durante duas horas, Mercedes Romero e Madalena Simões Serra, a outra profissional envolvida no caso, ignoraram as queixas de falta de ar manifestadas pelo jovem. E não detectaram a lenta asfixia provocada por um inchaço na parte superior da laringe, que o conduziu à morte.
 

 

A OE considerou que o comportamento das enfermeiras foi «grave, por estas não terem agido de acordo com as boas práticas de enfermagem». A decisão de não aplicar o tempo máximo de suspensão, que é de cinco anos, é justificado pela presidente do Conselho Jurisdicional, Margarida Vieira, pelo facto de «não haver nenhuma prova da causalidade directa entre a prática de enfermagem e a morte do jovem».
 

 

As enfermeiras, sublinha a responsável, «não tinham qualquer grau de especialidade em cirurgia, o que nestas circunstâncias é atenuante, e contactaram telefonicamente uma anestesista e o cirurgião que operou o jovem comunicando-lhes a situação». Um contacto que a IGS considerou inadequado, já que o regulamento interno obriga a chamar o cirurgião de serviço na urgência para verificar se as queixas teriam ou não fundamento. A família promete estudar mecanismos legais de contestar esta decisão.
 

 

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