Enfarte agudo do miocárdio: poderá ser impedido através de nanopartículas?

Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”

25 fevereiro 2015
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Os enfartes agudos do miocárdio causados pela aterosclerose podem vir a ser impedidos através da utilização de nanopartículas capazes de transportar uma molécula especial com capacidade para resolver os problemas provocados por depósitos de gordura nas artérias, dá conta um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.
 

A aterosclerose é uma condição inflamatória caracterizada pela acumulação de partículas que contêm gordura (LDL) nas artérias. Estas partículas de LDL podem perdurar indefinidamente e impedir consequentemente a cura. Estes pontos de inflamação e dano são a razão pela qual a aterosclerose causa enfartes agudos do miocárdio. Estes locais são propensos à rutura e quando isto ocorre formam-se coágulos sanguíneos que obstruem o fluxo sanguíneo para o coração.
 

Muitos investigadores têm tentado desenvolver fármacos para impedir os enfartes agudos do miocárdio através do controlo da inflamação. Contudo, segundo um dos investigadores do estudo, Richard J. Stock, este tipo de abordagem tem algumas desvantagens.
 

A aterosclerose é uma doença crónica. Deste modo, os fármacos têm de ser tomados ao longo de anos e mesmo décadas. Contudo, a toma deste tipo de fármacos afeta a capacidade de o sistema imunitário combater a infeção. Na opinião dos investigadores a utilização deste tipo de fármacos não é suficiente uma vez que “a aterosclerose não é só inflamação, também há danos na parede das artérias. Se o dano não for reparado, não é possível impedir o enfarte agudo do miocárdio”.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Columbia e da Universidade de Harvard, nos EUA, utilizaram nanopartículas para transportar um peptídeo com ação anti-inflamatória. Este peptídeo é derivado de uma proteína natural do organismo, denominada anexina A1. O modo como as nanopartículas foram desenvolvidas permitiu que o fármaco fosse libertado na placa aterosclerótica de um modo controlado.
 

O estudo apurou que a administração destas nanopartículas acopladas ao peptídeo, em ratinhos com aterosclerose avançada, reparou os danos nas artérias e estabilizou as placas. Verificou-se que a administração deste nanofármaco conduziu a uma redução das espécies reativas de oxigénio, um aumento do colagénio e uma redução da placa necrótica. Estas alterações não foram observadas aquando da administração do peptídeo ou das nanopartículas vazias.
 

Apesar de as placas de gordura dos ratinhos serem semelhantes às dos humanos, os ratinhos não têm enfartes agudos do miocárdio, assim, o teste real a estas nanopartículas apenas poderá ser realizado em humanos. “Neste estudo, demonstrámos, pela primeira vez, que um fármaco que promove a resolução da inflamação e a reparação é uma opção viável, quando é administrado diretamente nas placas através de nanopartículas”, explicou uma das autoras do estudo, Ira Tabas.
 

Os autores do estudo referem ainda que as nanopartículas estão a ser utilizadas em ensaios clínicos para o cancro, mas a sua segurança a longo prazo ainda necessita de ser testada. Os investigadores estão também a analisar a possibilidade de modificar as partículas de modo que estas possam ser tomadas através de comprimidos em vez de injeções.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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