Enfarte agudo do miocárdio: novo tratamento

Estudo publicado no “International Journal of Cardiology”

30 novembro 2015
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Investigadores australianos descobriram que níveis moderadamente elevados de um pigmento biliar, a bilirrubina, podem fornecer uma proteção natural contra o enfarte agudo do miocárdio e ajudar a evitar a doença cardiovascular, sugere um estudo publicado no “International Journal of Cardiology”.
 
Os investigadores da Universidade de Griffith, na Austrália, verificaram que quando o coração é infundido com bilirrubina após um enfarte agudo do miocárdio, o pigmento reduz o dano e melhora a função cardíaca durante a recuperação.
 
“Este é um achado muito importante uma vez que existem poucos fármacos capazes de serem administrados após um enfarte agudo do miocárdio para melhorar a função cardíaca. Genericamente, se for um enfarte agudo do miocárdio pequeno as pessoas podem sobreviver. Contudo, há uma taxa de 20% de mortalidade resultante de um enfarte”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Andrew Bulmer.
 
O investigador referiu que, geralmente, a bilirrubina apenas estava associada a pessoas com icterícia. No entanto, este estudo demonstrou que níveis moderadamente elevados de bilirrubina são realmente benéficos e protegem naturalmente contra a doença cardiovascular.
 
Um estudo recentemente publicado na revista “Free Radical Biology and Medicine” demonstrou que níveis elevados de bilirrubina podem proteger a circulação dos danos decorrentes do stress oxidativo que causam alterações nos vasos sanguíneos. “Acreditamos que esta proteção pode estar relacionada com a propriedade antioxidante da bilirrubina que foi recentemente identificada”, acrescentou o investigador. 
 
A inflamação é a principal culpada dos danos no organismo e é causada pela atividade excessiva dos leucócitos que libertam radicais livres. De acordo com Andrew Bulmer, ao que parece a bilirrubina pode proteger contra estes radicais livres durante as doenças inflamatórias crónicas, como a doença cardiovascular, doença renal e diabetes.
 
Acredita-se que cinco a dez por cento da população tenha níveis ligeiramente elevados de bilirrubina no sangue, uma condição sem efeitos colaterais negativos conhecida por síndrome de Gilbert. Os indivíduos com esta síndrome têm um risco 30 a 60% menor de ter doenças cardiovasculares e um risco 50% menor de morrer por qualquer causa.
 
"Não só há uma vantagem em poder utilizar bilirrubina como um biomarcador para medir o risco futuro de várias doenças crónicas, como existe uma possibilidade real de poder ser utilizada como um tratamento após um enfarte agudo do miocárdio de forma a reduzir os danos para o coração e possivelmente melhorar a sobrevivência ", conclui Andrew Bulmer.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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