Enfarte agudo do miocárdio: novo teste sanguíneo permite diagnóstico mais rápido

Estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”

02 janeiro 2012
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Um novo teste de alta sensibilidade, que mede os níveis de troponina I no sangue, pode ajudar num diagnóstico mais rápido do enfarte agudo do miocárdio, dá conta um estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”.

 

Uma das razões mais comuns pelas quais os pacientes dão entrada num serviço de urgência é por dor torácica aguda. A identificação precoce de indivíduos de alto risco e risco intermédio de isquemia miocárdica (diminuição do fluxo sanguíneo que chega ao músculo cardíaco) é crucial, pois o benefício é maior após o tratamento precoce. De acordo com o consenso internacional, o diagnóstico de enfarte agudo do miocárdio é baseado principalmente nos níveis de troponina cardíaca.

 

Neste estudo os investigadores University Heart Center, em Hamburgo, Alemanha, contaram com a participação de 1.818 indivíduos com suspeita de síndrome coronário agudo para comparar a eficácia do teste de elevada sensibilidade da troponina I (hsTnI), recentemente desenvolvido, com o teste atual da troponina I (cTnI). Os níveis destes e de outros dez biomarcadores foram medidos no momento da admissão dos pacientes, três e seis horas após a admissão.

 

O estudo revelou que 413 pacientes tiveram um diagnóstico final de enfarte agudo do miocárdio e que os testes da troponina (hsTnI e cTnI) foram mais eficazes na previsão do diagnóstico que os restantes biomarcadores. Contudo, o novo teste mostrou-se mais sensível que o atualmente utilizado. Na altura da admissão dos pacientes o novo teste, o hsTnI, apresentou uma sensibilidade de 82,3% e um valor preditivo negativo (probabilidade de não existir doença) de 94,7 %. Comparativamente, a sensibilidade do teste da cTnI foi de 79,4% e o valor preditivo negativo foi de 94%.

 

Os investigadores verificaram ainda que, o valor preditivo positivo (probabilidade de existir a doença) do teste da hsTnI aumentou de 75,1% no momento da admissão para 95,8 % três horas após a entrada nas urgências. Em comparação, o valor preditivo positivo do teste da cTnI aumentou de 80,9 para 96,1%, no mesmo espaço de tempo.

 

Os autores do estudo, liderados por Till Keller, revelaram, em comunicado de imprensa, que “a baixa sensibilidade dos testes de troponina atuais, nas primeiras horas após o início da dor torácica, foi o que motivou a avaliação de vários biomarcadores para o diagnóstico do enfarte agudo do miocárdio. O nosso estudo revelou que a informação do diagnóstico através da medição dos níveis da hsTnI foi superior em comparação com os outros biomarcadores avaliados”.

 

Sandra Chaparro, cardiologista da University of Miami Hospital, na Flórida, EUA, revelou que “agora podemos diagnosticar mais rapidamente os enfartes agudos do miocárdio. Se o paciente se apresentar nas urgências com uma dor no peito há menos de três horas, podemos diagnosticar um enfarte agudo do miocárdio”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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