Enfarte agudo do miocárdio: micropartículas reparam danos

Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”

20 janeiro 2014
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O processo inflamatório e os danos resultantes da ocorrência de um enfarte agudo do miocárdio podem ser diminuídos para metade através da injeção de micropartículas na corrente sanguínea, nas 24 horas que sucedem o enfarte, dá conta um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.
 

Os investigadores da Universidade de Northwestern, nos EUA e da Universidade de Sydney, na Austrália, constataram que, para além de reduzir para 50% as lesões ocorridas no músculo cardíaco, as quais são resultantes do aparecimento de células inflamatórias no tecido desprovido de oxigénio, a injeção destas micropartículas biodegradáveis levou a que este músculo bombeasse significativamente mais sangue.
 

“Esta é a primeira terapia que tem especificamente como alvo os responsáveis pelos danos que ocorrem após o enfarte agudo do miocárdio. Não há outra terapia capaz de fazer isto, na verdade ela tem o potencial de transformar o modo como os enfartes agudos do miocárdio e as doenças cardíacas são tratados”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Daniel Getts.
 

Os autores do estudo explicam que estas micropartículas são capazes de se associar às células danificadas, os monócitos inflamatórios, fazendo com que estas sejam desviadas para o baço e morram.  
 

As partículas são feitas de poliácido, uma substância biocompatível e biodegradável a qual já tem a aprovação da agência norte-americana do medicamento (FDA) para a utilização em suturas reabsorvíveis.
 

Os investigadores demonstraram que as micropartículas reduzem os danos e reparam os tecidos em várias doenças inflamatórias, incluindo modelo da infeção pelo vírus do Oeste do Nilo, doença inflamatória intestinal, colite, esclerose múltipla, peritonite e um modelo que mimetiza o fluxo sanguíneo após um transplante do rim.
 

De acordo com um outro autor do estudo, Stephen Miller, o potencial da utilização destas micropartículas no tratamento de várias doenças é enorme. “Em todos estes modelos de doença, as micropartículas param o fluxo de células inflamatórias no local danificado, o que permite que este seja limitado e os tecidos sejam capazes de se regenerar”, explicou o investigador.
 

O diretor executivo da Cour Pharmaceutical Develpoment Co., empresa de biotecnologia com quem os investigadores fizeram uma parceria, John Puisis, acrescentou ainda que esta descoberta pode transformar o modo como as doenças inflamatórias são tratadas. Uma vez que as micropartículas são feitas de polímeros biodegradáveis, esta terapia pode ser rapidamente utilizada na clínica.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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